Julianne Cerasoli

Alonso e a Red Bull

E a sua vaga, será que rola?

Talvez vocês tenham estranhado a falta de notícias no TR a respeito da suposta ligação entre Fernando Alonso e Red Bull, que surgiram neste final de semana na Hungria. Isso não é nenhuma coincidência.

Vamos aos fatos: o empresário de Alonso, Luis Garcia Abad, foi visto saindo de uma sala de reunião ao lado de Christian Horner. A Red Bull terá uma vaga na próxima temporada.

Então Abad foi oferecer Alonso à Red Bull? Temos de lembrar que o espanhol também empresaria Carlos Sainz Junior, membro do programa de desenvolvimento de pilotos da empresa e que inclusive testou em Silverstone por Red Bull e Toro Rosso. O piloto de 18 anos corre justamente pela equipe de Horner na GP3 e, ainda por cima, tem o patrocínio da Cepsa, petrolífera que apoia a Toro Rosso.

Mas é claro que especular sobre Alonso gera mais interesse. Ainda assim, fica difícil sustentar o boato. O espanhol tem contrato até o final de 2016 e, com duas vitórias na temporada e 77% dos pontos do líder Vettel, dificilmente conseguiria se valer de uma cláusula de performance para quebrar o acordo.

Não tenho opinião formada sobre a dupla Vettel-Raikkonen, mas certamente a dupla Vettel-Alonso, ambos vindos da escola Schumacher de controlar todas as variáveis, seria um tiro no pé. E a última coisa que os atuais tricampeões de pilotos e construtores precisam é tumultuar o ambiente.

Houve colegas na mídia inglesa que usaram a entrevista de Horner após o GP como prova de que a conversa com Abad era sobre Alonso, pois o chefe da Red Bull não negou a possibilidade do espanhol defender o time. Se eu estivesse no lugar dele, faria o mesmo: não cria problemas internos, pois é sabido que haverá uma vaga, e ainda por cima joga a “bucha” para Stefano Domenicali, que minutos depois teve de responder a uma enxurrada de perguntas sobre “como acalmar os ânimos” de Alonso.

É possível que Abad tenha sondado os prospectos de Alonso na Red Bull, mesmo durante uma reunião sobre Sainz? É possível que o encontro tenha acontecido tão às claras para mostrar o suposto descontentamento do espanhol com mais um ano que, a essa altura, parece desperdiçado? Sim, é possível. Mas tratar isso como uma porta aberta para termos a dupla Vettel-Alonso em um futuro próximo é um exercício para quem tem imaginação bastante fértil. É, no máximo, um blefe.

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