Julianne Cerasoli

Alonso e McLaren em rota de colisão. De novo

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“Fizemos a mais extensa investigação de um acidente na história da McLaren”, bradou Ron Dennis não muito tempo atrás. E agora vem Fernando Alonso e diz que, sem sombra de dúvidas, uma falha mecânica causou seu acidente nos testes de pré-temporada.

Parece que as dúvidas a respeito do que aconteceu naquele dia 22 de fevereiro jamais acabarão.

A versão de Alonso não é totalmente absurda, mas não cobre todas as perguntas. O espanhol descartou totalmente a teoria da rajada de vento – ele chegou a dizer que “nem um furacão” mudaria a direção do carro, já que estava em relativa baixa velocidade, o que casa com o depoimento da testemunha ocular Vettel. Disse que o volante “definitivamente travou para a direita”, mas que seu nível de preocupação de que isto volte a ocorrer é “zero”.

Alonso teria feito mudanças em seu volante e isso poderia ser a explicação para a falha. Mas, convenhamos, um volante travar hoje em dia seria muito incomum. E nenhuma análise da equipe ter descoberto algo tão simples, é mais estranho ainda.

Ok, mas vamos supor que nem a “mais extensa investigação da história” da McLaren tenha descoberto o volante travado e que, de fato, um novo sensor tenha sido instalado para que isso não volte a acontecer. E vamos à segunda parte: as consequências do impacto.

Alonso diz que manteve a consciência logo após a batida, só desmaiando “na ambulância ou no centro médico”. O espanhol narrou exatamente quais foram seus procedimentos: “Primeiro eu desliguei o rádio, porque estava ligado. E depois desliguei a chave geral para que as baterias estivessem desligadas porque vi os comissários chegando e, se não tivesse feito isso, eles não poderiam tocar o carro”. Segundo Dennis, os engenheiros tentaram chamar Alonso pelo rádio e só ouviram sua respiração. E, de fato, o carro estava com a luz verde indicando que as baterias estavam seguras.

Porém, mesmo estando “perfeitamente consciente”, Alonso permaneceu no carro e foi retirado de maca. O porquê desse cuidado todo ele não respondeu. E, depois, perdeu a consciência, mas “os médicos disseram que é normal devido aos medicamentos que eles dão para o transporte de helicóptero e os exames que têm de fazer no hospital: a Ressonância Magnética pede esse protocolo e é normal que talvez você não se lembre.”

O próprio Dennis, contudo, confirmou o desmaio “por alguns segundos”. E sedar um paciente para transportá-lo ao hospital não parece a melhor forma de acompanhar seu estado neurológico caso ele não tenha nenhum problema mais grave – além da medicação pré-ressonância só ser indicada para pessoas que não se sentem bem no aparelho. Novamente, se tudo isso é verdade, se o desmaio foi apenas pela sedação e foi uma “concussão normal”, nas palavras de Alonso, por que passar quatro dias no hospital?

É por essas e outras que a teoria de que o espanhol teve algum problema físico enquanto pilotava o MP4-30 está longe de ser descartada.

No mínimo, todo esse episódio e a maneira desastrosa como a McLaren lidou com sua comunicação, a ponto de ser desmentida pelo piloto com quem teve uma relação bastante espinhosa no passado só alimentam a sensação de que Alonso e o time inglês ainda vão bater cabeças algumas vezes neste ano – com ou sem desmaios no caminho.

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