Julianne Cerasoli

Alonso poderia ter ganho sem o erro da Red Bull?

Após a largada fulminante, parecia que Vettel controlaria o ritmo novamente

Sem muito tempo para andar com a pista seca para testar a durabilidade dos pneus e com a promessa de uma chove-para bem britânico, até que o GP da Grã-Bretanha acabou sendo bem simples para os estrategistas.

Em teoria, a expectativa era de uma prova semelhante ao GP da Espanha em termos de uso de pneus. Como se trata de uma pista com muitas curvas de alta, assim como Barcelona, esperava-se que os macios acabassem muito rapidamente, e que, com pouco menos de 40 das 52 voltas completadas, seria inevitável apelar para o pneu duro que, em Silverstone, era pelo menos um segundo mais lento.

A chuva sob medida logo antes da prova – e que parou quando os carros largaram – eliminou a necessidade de usar os dois compostos. No entanto, ainda ficava aberta a questão da durabilidade: será que, com parte do traçado seco, os pneus intermediários aguentariam tempo suficiente para que só fossem utilizados os três jogos de macios até o final da prova?

Foi justamente o que aconteceu. No momento em que alguns pilotos, como Jenson Button, já pensavam em arriscar colocar os slicks, Michael Schumacher tem de trocar o bico do carro e faz a aposta, na nona volta. Sai do box já marcando setores roxos (indicando que era o mais rápido da pista) e ganhando, logo na primeira volta, 1s5 em relação aos demais. Assim, nenhum dos ponteiros teve que se aventurar.

Na volta 13, todos os ponteiros já tinham parado. Isso significa que o período com o pneu intermediário era praticamente o mesmo que o previsto para os pneus duros para o final. Assim, era possível terminar a corrida só com os macios.

Boa notícia para a Ferrari, ainda que, na classificação, seus pilotos tenham ficado a um e dois décimos atrás de Webber com o composto duro – e melhorado o mesmo 1s que a Red Bull ganhou com o macio – indicando que também cresceram nesse sentido.

Mas isso não pôde ser testado na corrida. O que ficou claro foi que a famosa tendência dos ferraristas de cuidar melhor dos pneus finalmente pagou seus dividendos. Alonso conseguiu fazer, digamos, o undercut ao avesso sobre Webber – algo que Button também tentou, mas abandonou antes de sabermos se funcionaria.

O espanhol tinha sido ultrapassado no início do segundo stint por Hamilton, que forçou demais os pneus e teve de parar muito antes – duas voltas antes de Webber e três de Alonso. Com isso, perdeu, também na pista, a posição para o piloto da Ferrari, que, por sua vez, começou a chegar num ritmo de quatro décimos por volta em relação ao australiano.

A reação da Red Bull foi parar, para que Webber conseguisse abrir vantagem com os pneus novos, enquanto Alonso se arrastaria com os velhos. No entanto, o espanhol ainda tinha muito o que tirar dos pneus, fez 1min35s5 – simplesmente dois segundos abaixo da volta anterior – e superou-o, mesmo parando uma volta depois. Assim como em Valência, conseguiu poupar os pneus para um último suspiro antes da parada, superando o rendimento do pneu novo. Porém, no caso de Silverstone, o fez usando o mesmo composto do rival. O undercut “tradicional” deu certo para Hamilton.

Esses dois segundos (1s5 em relação ao líder) que Alonso tirou na última volta antes de entrar nos boxes também foram essenciais para que pudesse capitalizar no erro com Vettel e chegar à ponta.

Será que Alonso ganharia sem o erro da Red Bull?

O caso do alemão, inclusive, é interessante. Como mostramos na corrida passada, abrindo uma vantagem na ponta de cerca de 5s ao final do primeiro stint, o líder do campeonato podia se dar ao luxo de esperar os rivais pararem, copiar a estratégia e perder um pouco inicialmente, mas sempre conseguia se recuperar no final, pois seus pneus estavam menos gastos – pelas voltas a menos e a possibilidade de controlar o ritmo sozinho na ponta.

Em Silverstone, percebemos que a diferença que parecia ter para os outros em relação ao desgaste dos pneus tem muito mais a ver com sua situação de corrida do que sua forma de conduzir. Quando foi obrigado a forçar, andando colado em outro carro, não só não foi capaz de ultrapassar um Hamilton com um carro pior e três voltas a mais no pneu, como desgastou seus Pirelli. O tempo perdido atrás do inglês e a necessidade de antecipar o pit – tanto pelos pneus, quanto pelo undercut bem sucedido – foi fundamental para que Alonso escapasse na frente.

No entanto, é possível dizer que o espanhol não precisaria do erro da Red Bull para vencer. No momento em que foi para a ponta, Alonso era um segundo mais rápido que os rivais, mesmo antes de Vettel começar a ser freado por Hamilton.

Antes da parada, o líder do campeonato tinha 5s8 de vantagem para o piloto da Ferrari. Como ambos pararam juntos, muito provavelmente, caso o trabalho da Red Bull tivesse sido bom, voltariam mais ou menos com a mesma diferença.

Depois de ficar travado por Hamilton por nove voltas, Vettel foi para os pits. É impossível saber qual seria seu ritmo nesse momento da prova, quando perdeu 10s3 para Alonso, mas o 1min33 que o espanhol fez logo antes de sua parada – em contraste ao 1min35 de Vettel com pneus novos na mesma volta – sugere que ele teria tirado aqueles 5s8 de diferença no terceiro stint e estaria pelo menos colado no alemão. Se não conseguisse ultrapassar por meio do undercut (parando uma volta antes), tinha a possibilidade de real de fazê-lo na pista. Isso até porque, depois da terceira parada, com ambos com pista livre, Alonso continuou sendo de 0s5 a 1s mais rápido. E Vettel, pressionado por Webber, não estava exatamente passeando na pista.

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