
A temporada de 2015 deve ter sido um longo ano de estreia para Felipe Nasr – e 2016 não se desenha de forma muito diferente. Um duelo mais apertado do que o esperado com Marcus Ericsson quando o sueco se acertou na metade final do campeonato e insistentes problemas de adaptação com os freios são motivos suficientes para o brasileiro estar ansioso para que o campeonato comece logo e os pingos que faltaram finalmente sejam colocados em seus devidos is.
Mas as complicações podem ficar ainda maiores.
Nesta semana, a Sauber anunciou que só vai estrear o novo carro na segunda bateria de testes, caso clássico daquela equipe que trabalha no limite do orçamento e que não conseguiu acelerar os processos após a antecipação, em duas semanas, da abertura da temporada, algo que foi anunciado no final de setembro.
Como a promessa do time suíço é uma mudança conceitual e não apenas uma evolução em relação ao carro de 2015, seria especialmente importante obter o máximo de quilometragem possível antes do GP da Austrália.
Do lado de Nasr, fica a expectativa de que um novo desenho aerodinâmico garanta a refrigeração necessária dos freios. Em 2015, seu principal problema com o carro foi que, mesmo com toda a configuração ‘aberta’ para um melhor arrefecimento, o que aumenta o arrasto e não seria o melhor acerto, as temperaturas subiam de forma que o próprio piloto chegou a classificar de perigosa em algumas oportunidades. E mesmo quando mudou o composto dos freios, usando marca igual à de Ericsson, o problema voltou a ocorrer. Ou seja, era preciso redesenhar essa área para resolver a questão, algo que, obviamente, está na lista de prioridades da equipe.
Mas seria a solução dos freios suficiente para barrar Ericsson que, a julgar pelos resultados na base e na Caterham – ainda que, justiça seja feita, é difícil avaliar qualquer piloto que passa os GPs abrindo caminho para os demais – deveria ser uma presa fácil? Certamente esse será um ponto importante para Nasr provar já desde a primeira prova.
Informações de bastidores dão conta de que o clima interno não é dos melhores. A turma de Ericsson classifica Nasr como daqueles que ganham sozinho e perdem com o time, sem assumir suas responsabilidades, o que, diga-se de passagem, não combina muito com as declarações normalmente sensatas do brasileiro. Jogo psicológico? Vale tudo em um ambiente como o da F-1. Principalmente, resultados.
O fato é que Nasr obteve uma vitória importante quando teve seu pedido de troca de engenheiro atendido. Desde o GP do Canadá, pessoas ligadas ao piloto já indicavam que ele precisava tomar a dianteira das decisões sobre o carro para não ficar refém de acertos que não lhe ajudavam. Com a experiência e confiança de uma segunda temporada, isso tende a melhorar.
Mas os desafios de Nasr não terminam dentro da Sauber. A equipe viverá um ano importante com a incógnita da Haas. Se a cliente tradicional da Ferrari perder para a novata, as relações podem ficar ainda mais estremecidas. Basta lembrar que há menos de quatro anos Sergio Perez estava brigando por uma vitória a bordo de uma Sauber na Malásia e temos a medida do calderão de pressão em que Nasr está metido.