Julianne Cerasoli

Armando o bote

Nico Rosberg (GER) Mercedes AMG F1 W06 leads team mate Lewis Hamilton (GBR) Mercedes AMG F1 W06. 31.10.2015. Formula 1 World Championship, Rd 17, Mexican Grand Prix, Mexixo City, Mexico, Qualifying Day. - www.xpbimages.com, EMail: requests@xpbimages.com - copy of publication required for printed pictures. Every used picture is fee-liable. © Copyright: Batchelor / XPB Images
Nico Rosberg (GER) Mercedes AMG F1 W06 leads team mate Lewis Hamilton (GBR) Mercedes AMG F1 W06.
31.10.2015. Formula 1 World Championship, Rd 17, Mexican Grand Prix, Mexixo City, Mexico, Qualifying Day.
– www.xpbimages.com, EMail: requests@xpbimages.com – copy of publication required for printed pictures. Every used picture is fee-liable. © Copyright: Batchelor / XPB Images

Todo mundo sabe que Hamilton não reage bem quando perde – e reconhece que essa é uma marca comum a campeões do mundo. No México, mais uma vez ele provou a teoria, questionando a estratégia da Mercedes, dando a entender que a equipe “sentiu que precisava deixar Rosberg feliz” depois do enorme desapontamento dos Estados Unidos, e ainda aproveitou para alfinetar o companheiro na coletiva de imprensa.

No meio de um elogio à corrida de Rosberg, Hamilton disse que “ele não cometeu erros, não teve nenhum golpe de vento”, referindo-se à justificativa do alemão para o erro que acabou dando o título a Hamilton no GP anterior. Quando Nico citou o tal golpe de vento em sua coletiva de imprensa na quinta-feira no México, arrancou risos dos jornalistas. Afinal, foi o primeiro motivo apontado pela até hoje inexplicada batida de Fernando Alonso na pré-temporada, em Barcelona.

Há alguns pontos a serem analisados. Sim, a Mercedes precisa resgatar a confiança de Rosberg para se defender de uma possível melhora da Ferrari na próxima temporada. Segundo a teoria do próprio Niki Lauda “se um dos pilotos não força mais, o outro não é tão rápido quanto poderia.” Portanto, se Rosberg não acreditar que pode bater Hamilton, o inglês pode relaxar, achando que o tetra, o penta e sabe-se lá mais o que estão garantidos, dando a chance para Vettel e companhia.

Outro ponto importante é que, de fato, Rosberg foi mais rápido que Hamilton pela maior parte do final de semana no México, então, por mais que a equipe possa ter se esforçado para trazê-lo de volta ao nível que já mostrou que pode alcançar, o que aconteceu no último domingo esteve longe de ser uma vitória fabricada.

E, em terceiro lugar, vale analisar a tática da Mercedes, criticada por Hamilton. Sabemos que, desde o GP da Hungria de 2014, a equipe não faz táticas diferentes para seus pilotos, a não ser em situações em que um, por algum motivo, foi parar no fim do pelotão, por exemplo. Quando decidiram desistir da tática de uma parada e chamaram Rosberg novamente aos boxes, o fizeram porque seria um troca “de graça”: ou seja, não perderiam nenhuma posição e se protegeriam no caso de um Safety Car, algo que era tido como quase certo pelos engenheiros.  Isso porque relargar com pneus duros e frios era o pior cenário possível.

O que Hamilton queria é ter tido a chance de arriscar permanecer na pista, defendendo-se de um possível ataque de Rosberg no final. Afinal, como campeão, ele não tem mais muito a perder. Porém, isso vai contra uma determinação da equipe – que, inclusive, já o beneficiou algumas vezes, quando era Rosberg quem estava sofrendo com a aerodinâmica e não conseguia permanecer colado para tentar a ultrapassagem na pista.

Do lado do inglês, contudo, dá para entender por que a reação mesmo com o campeonato decidido. Confiante de que está com o momento de seu lado, ele quer evitar um novo crescimento de Rosberg para, se a Ferrari realmente chegar ano que vem – algo difícil de acreditar no momento – a equipe esteja toda de seu lado.

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