
A temporada de 2017 teve carros mais velozes e uma briga pelas vitórias que voltou a contar com mais de uma equipe pela primeira vez em quatro anos, mas teve quem saiu devendo da temporada. Confira as maiores decepções de 2017 e dê sua opinião.
Honda, de novo
Havia uma grande expectativa antes do início da temporada por uma evolução significativa da Honda em seu terceiro ano na categoria depois que o sistema de tokens, que criava limites para o desenvolvimento das unidades de potência, foi abolido. Isso, em teoria, permitiria que os japoneses alterassem completamente seu projeto, solucionando problemas que estavam relacionados aos conceitos do primeiro motor, homologado ainda em 2014. De fato, a Honda praticamente começou do zero, mas isso não significou mais confiabilidade – e a melhora de performance, ainda que considerável, não foi suficiente para a McLaren se tornar mais do que a sexta ou sétima força, mesmo com um carro bom, no final da temporada. São quatro unidades permitidas por ano de cada uma das seis partes que compõem a UP, e Stoffel Vandoorne, por exemplo, usou 12 turbos e MGU-H.
Pneus conservadores demais
Pode-se dizer que foi uma surpresa até para a Pirelli, que temia voltar a enfrentar críticas e problemas como as explosões do GP da Inglaterra de 2013 com o novo regulamento e a promessa de carros mais velozes e gerando mais pressão aerodinâmica. A opção dos italianos foi tornar sua borracha mais resistente para evitar problemas, especialmente ao longo da temporada, prevendo um desenvolvimento acelerado de um projeto novo. Mas, ainda que os carros tenham sido mais de 2s em média mais velozes que ano passado e tenham batido vários recordes que duravam desde 2004, a grande maioria das provas foi ganha com apenas uma parada, indicando que eles exageraram na dose.
Halo, contra tudo e todos
Havia um sentimento de alívio no paddock quando Sebastian Vettel testou a versão mais avançada do escudo em Silverstone e saiu soltando os cachorros, dizendo que era impossível pilotar com a tela. Para muitos, a ideia do halo tinha ficado para trás e, já que o escudo não seria mais uma opção, a ideia de cobrir parte do cockpit teria de ser adiada. Mas a ideia de Jean Todt era outra e, mesmo sem um consenso, o halo foi aprovado. Sim, há um impacto na segurança, mas ele é tímido demais – fala-se em 17% – para algo que descaracteriza bastante os carros e a noção de perigo. Que, aliás, não é tão alta assim, lembrando que a morte de Bianchi foi causada por uma série de irresponsabilidades e não seria evitada com a novidade.
Red Bull
O pensamento lógico levava a crer antes do início da temporada que a Red Bull seria a equipe que incomodaria a Mercedes em 2017. Isso porque o novo regulamento aumentaria a influência da aerodinâmica nos carros, aproximando um pouco mais a F-1 da era pré-2014 – ou seja, de quando eles eram o time a ser batido. Mas isso não aconteceu: mesmo com os 13 abandonos, que certamente não ajudaram, Ricciardo e Verstappen só tiveram carros mais competitivos em algumas provas específicas, como Budapeste, Cingapura e Malásia. Isso porque o motor Renault não evoluiu tanto quanto o esperado, mas também devido a um carro que se mostrou difícil e imprevisível por boa parte do ano. O já tradicional desenvolvimento forte apareceu do meio da temporada para cá, mas ainda assim não foi suficiente para apagar a decepção.
Kimi Raikkonen
Muito se falou desde que o finlandês voltou à Ferrari em 2014 – e com moral, depois de boas temporadas pela Lotus – que o desempenho abaixo do esperado era primeiro fruto dos carros dianteiros cujo desenvolvimento teria sido guiado desta maneira por Fernando Alonso na Scuderia, e depois as dificuldades com a dirigibilidade do motor italiano nas duas temporadas seguintes. Em 2017, acabaram ambas as desculpas e a Ferrari teve, sem dúvida, o carro mais equilibrado e versátil do grid – ainda que seja questionável se foi o mais rápido. E Raikkonen não foi nem a sombra daquele piloto que um dia foi apontado como possível sucessor de Michael Schumacher.
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