Julianne Cerasoli

As quebras e os pontos que Hamilton perdeu

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Mais de uma vez durante a temporada 2016 Lewis Hamilton apontou os problemas mecânicos como fator principal para seu campeonato não estar saindo como ele esperava. Isso desde o início, quando duas falhas em classificações ajudaram a fazer com que o inglês chegasse à sexta etapa com uma desvantagem de 43 pontos.

O fantasma das quebras voltou a aparecer com força na segunda metade do campeonato, primeiro com a necessidade de trocar o motor e a consequente largada da última colocação na Bélgica, e depois na dolorosa falha da Malásia.

Porém, observando o mundial do britânico, que há 12 meses conquistava o tricampeonato justamente na etapa que será realizada neste final de semana, nos Estados Unidos, um fator é pelo menos tão preponderante para a perda de pontos importantes: as largadas ruins.

Não que as largadas sejam totalmente de responsabilidade do piloto, dependendo de vários fatores, especialmente a inconsistência da embreagem e o fato das previsões dos níveis de aderência serem menos perfeitas com apenas uma borboleta para a embreagem. Porém, as mudanças de regras deste ano jogaram mais responsabilidade nos pilotos, induzindo-os mais ao erro.

Sem menosprezar as chances de Rosberg superar Hamilton em um dia normal, mas apenas para simplificar as contas, levando em consideração que o inglês poderia ter vencido todas as provas em que teve problemas, vemos que o inglês perdeu 61 pontos por quebras – e 59 por largadas ruins.

Mais do que isso, se ele tivesse ao menos segurado a posição nas corridas em que largou mal, teria ganho 27 pontos e privado Rosberg de 21. Isso sem contar no lucro que teve nas oportunidades em que foi o companheiro quem não largou bem. Afinal, Rosberg também teve largadas bem ruins no Canadá, Alemanha e principalmente na Malásia. Porém, apesar dos números absolutos mostrarem que o líder do campeonato perdeu mais posições nas primeiras voltas que Hamilton no ano, a grande maioria delas foi justamente quando o inglês teve a quebra em Sepang, o que minimizou seus danos. No caso do tricampeão, contudo, suas maiores perdas foram largando da pole.

 

Os pontos perdidos por Hamilton no ano:

Austrália – largada ruim saindo da pole, chegou em 2º

Bahrein – largada ruim saindo da pole, chegou em 3º

China – falha no motor na classificação, chegou em 7º

Rússia – falha no motor no Q3 e na corrida, chegou em 2º

Espanha – abandonou por acidente

Baku – bateu na classificação depois de dominar treinos livres, não conseguiu se recuperar na corrida, atrapalhado com configurações do carro e chegou em 5º

Bélgica – largou em último por troca de motor como consequência das quebras do início do ano, recuperou-se e chegou em 3º

Itália – largada ruim saindo da pole, terminou em segundo

Cingapura – não teve um bom desempenho por todo o final de semana, largou e chegou em terceiro

Malásia – largou na pole, controlou a prova, mas teve uma quebra de motor e abandonou

Japão – largou mal da segunda posição, chegou em 3º

Mas de onde vieram tantas largadas ruins? No Japão, o próprio Hamilton reconheceu o erro – que, no caso, foi de tempo de reação. Outras provas, contudo, têm explicações diversas.

Toto Wolff reconhece que a Mercedes tem um sistema mais complicado e se defende alegando que, por sempre ter os carros largando na frente, quando existe uma falha ela é mais evidente. De fato, vimos largadas inconsistentes em todas as equipes e pilotos, mas não deixa de ser interessante que uma mudança aparentemente simples no regulamento possa derrubar por tantas vezes uma equipe quem tem feito um trabalho tão bom nos últimos anos. E, quem sabe, decidir um campeonato.

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