
Os problemas no MGU-K e as consequentes dificuldades nos freios deram a deixa para os rivais da Mercedes se aproveitarem – e mesmo com 160hp a menos por metade da prova Nico Rosberg conseguiu chegar em segundo! Mas por que não foi Vettel, que largava em terceiro, que venceu o GP do Canadá? E Felipe Massa, poderia realmente ter vencido?
Ao cruzar a linha de chegada, Vettel lamentou sua estratégia via rádio. O tetracampeão largara em terceiro e voltara, após a primeira parada, atrás de Hulkenberg, que só faria um pit stop. O alemão ficou travado até sua segunda troca, quando foi superado por Ricciardo, o que o surpreendeu e provocou a reclamação.
Na volta 35, o trenzinho liderado por Hulk tinha Vettel a 0s7 e Ricciardo a 1s2 do companheiro. A Red Bull fez o certo e chamou o piloto que ia à frente primeiro, o que deveria manter as posições. Porém, segundo Helmut Marko, houve um problema no GPS, o que fez com que a equipe não percebesse que, após a parada, o alemão ficaria travado pela outra Force India, de Perez.
Seria esse o motivo pelo qual Ricciardo, que estava atrás e parou na volta seguinte – estando, teoricamente, em desvantagem – retornou da segunda parada entre o mexicano e seu companheiro, ganhando também a posição de Bottas, cuja parada foi lenta.
Os tempos perdidos no box foram idênticos entre os pilotos da Red Bull, mas as in/out laps de Ricciardo foram mais rápidas – 1s8 no total. Claro que a ultrapassagem sobre Perez na volta 66 foi fundamental mas, taticamente, foi aí que o australiano ganhou a prova.
Massa poderia ter vencido?
A Williams número 19 certamente foi o carro consistentemente mais rápido do GP do Canadá, mas como explicar que Felipe Massa bateu lutando apenas o quarto lugar na penúltima volta?
O primeiro golpe foi a tática agressiva da Red Bull de parar Ricciardo já na volta 13. O australiano estava a 0s5 do piloto da Williams ao entrar no box e, quando o time inglês optou por responder primeiro com Bottas, que estava 2s na frente do australiano, as chances de Massa manter a posição já eram pequenas – e foram para o espaço quando uma falha na pistola fez o brasileiro perder 4s5 e posição também para Alonso, Vergne e Kvyat. A tática não foi um erro: é de praxe a equipe proteger seu piloto melhor classificado e o mérito é da Red Bull ter enxergado a brecha.
Portanto, mesmo sem o problema no primeiro pit, Massa teria que tirar Ricciardo do caminho em algum momento da prova. Ritmo e velocidade de reta ele tinha, apesar da clara vantagem da Red Bull nas saídas de curva, mas aí começam a entrar vários “se”.
A questão da tentativa de uma parada apenas jamais funcionaria e a Williams acertou em abortá-la. Quando o time estudava isso, Perez já tinha um ritmo 1s/volta mais rápido, faltavam 25 voltas e a diferença era de 11s.
Só demorou um pouco para a equipe perceber isso: se parasse na volta 43 ao invés da 48, Massa teria a chance de voltar à frente do pelotão de Bottas e Hulkenberg. Para passar ambos, desperdiçou pouco tempo (só 1s8 em relação a Vettel), mas obviamente desgastou os pneus e perdeu 9 voltas para atacar.