Julianne Cerasoli

Balde de água fria

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Há quem desdenhe, questionando se a Mercedes está se preparando para o Mundial de F-1 ou de Endurance, mas o fato é que a performance – e a quilometragem – do time obtidos no primeiro teste da pré-temporada impressionaram a ponto de desanimarem os que estavam torcendo para uma reação da Ferrari já no início do ano.

É claro que todos os projetos estão em suas configurações iniciais – e o da Ferrari, por ter mas alterações, tem potencialmente mais a crescer do que os demais – mas o fato é que a Mercedes começou demonstrando muita força. E confiança.

O time só encomendou compostos médios à Pirelli, com um propósito claro que chegar o mais próximo de 800km/dia nos primeiros testes. Para se ter uma ideia, trata-se do que se anda por final de semana de corrida.

Mas e os tempos que a Ferrari conseguiu? Fazendo uma comparação com as informações que temos à disposição – e que estão longe de serem todas as que influem nos tempos de volta, os mais de 2s que Vettel colocou no melhor tempo da Mercedes na verdade denotam uma desvantagem entre 0s6 e 0s5. Ou seja, um cenário parecido com o do ano passado.

O melhor tempo de Vettel foi obtido em um stint de 3 voltas, com os ultramacios, enquanto a marca mais forte de Rosberg foi feita em um stint de 17 voltas, com os médios. De acordo com a Pirelli, a diferença dos dois pneus em um circuito como o de Barcelona estaria entre 1s8 e 2s3. E, como a diferença de combustível entre os dois carros deveria estar por volta de 15 a 20kg, deve-se somar mais algo entre 0s5 e 0s8 à conta.

É preciso lembrar, contudo, que há diversas variáveis que pesam muito no tempo de volta, desde o uso de DRS até a configuração do motor. Sempre lembrando daquela listinha básica para acompanhar os testes.

Mesmo levando isso em consideção, quem despontou como grande candidata a surpresa do início do ano foi a Force India, que já vinha em franca ascensão no final do ano passado e agora promete entrar na briga para ser a terceira força com Williams e Red Bull, algo confirmado pelo próprio Felipe Massa, que não escondeu a decepção com o desenrolar deste primeiro teste para o time inglês.

Para se ter uma ideia, nos tempos com correção de combustível, a Force India apareceu até mais forte que a Ferrari, ainda que saibamos que todos aqueles ingredientes listados acima interfiram de maneira bastante significativa. É altamente improvável que o time de Perez e Hulkenberg tenha crescido tanto, ainda mais sendo um cliente, mas entrar na briga do top 3 já seria um belo feito.

Na McLaren, Button e Alonso ficaram no top 3 do último setor a maior parte do tempo em que estiveram na pista, o que, em Barcelona, costuma ser um indicativo de que o chassi é forte. E o inglês afirmou que sentia que os problemas de falta de energia recuperada, grande ponto negativo do motor Honda em 2015, tinham sido solucionados. Ainda assim, ele e Alonso seguiram na lanterna dos speed traps durante a semana. Estaria a Honda trabalhando com uma configuração cautelosa para evitar quebras por enquanto? Isso seria bem lógico. E mais um motivo para esperar para tirar conclusões.

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