É curiosa a forma como a Ferrari tratou a renovação de Felipe Massa. Geralmente, vemos textos de piloto enaltecendo a equipe e vice-versa. E isso vale até para um novo recruta da HRT. Mas o release dos italianos tinha um quê de ‘ok, te demos outra chance, agora o débito é seu’: “Sempre apoiamos Felipe, mesmo nos momentos mais difíceis de sua carreira e sabemos de seu valor. Temos certeza de que ele saberá pagar a confiança que essa renovação prova que temos nele”, foram as palavras creditadas a Stefano Domenicali.
Não dá para discordar da posição da Ferrari, pelos motivos que apontei após o pódio de Suzuka. Se é bem verdade que Massa cresceu nas últimas provas, isso não parece mudar sua posição de barganha dentro da equipe. A Ferrari reconhece a evolução, sabe do que Felipe é capaz tendo em vista seu desempenho em anos anteriores e valoriza ter alguém que, como eles costumam dizer, “compreende que o time está acima de tudo”. Se isso vale ou não para o outro lado do box ou se é justo que seja assim de antemão, é outra história.
No entanto, palavras como as de Domenicali comprovam que a decisão foi tomada mais por falta de opção, o que ocorre não por uma seca de talento no grid, mas pela dificuldade em encontrar um piloto com o perfil para essa vaga ao mesmo tempo atrativa por ser em uma equipe de ponta e desprezada por toda a politicagem que a cerca.
Mesmo que seja na mesma equipe em que o vento não lhe sopra a favor desde a chegada de Alonso, não deixa de ser uma nova chance para Massa. Algo que ele acredita ser sua melhor opção. Quando embalado e confiante, o brasileiro parece se transformar, porém, uma série de circunstâncias nunca voltará ser a mesma de 2007-08. O casamento passou pela crise dos sete anos, enfim, mas já não é o mesmo.