A Mercedes de Lewis Hamilton e Nico Rosberg entra para a história ao lado de ícones da Fórmula 1, como as Ferrari de 2002 e 2004, a McLaren de 1988, a Williams de 92 e a Red Bull de 2011. Todos eles carros que colecionaram recordes e mais recordes na categoria.
Parte do sucesso tem a ver com o motor. Na primeira temporada de um regulamento que diminuiu a importância da aerodinâmica em detrimento da unidade de potência, a Mercedes deu show, com 100% das poles do ano, algo inédito na história moderna da Fórmula 1 (aconteceu em 69 com a Ford, quando só havia 11 etapas). Outras montadoras chegaram perto, como a Renault em 2011 (embalada pela superioridade do carro da Red Bull, mas também devido ao ótimo trabalho de integração ao difusor soprado), 95, 93 e 92, e a Honda em 88 e 89, perdendo apenas uma disputa pela pole, mas nunca um único motor havia terminado um ano “invicto” em treinos.
Nem todas essas 18 poles do time Mercedes – a 19ª do motor foi conquistada por Felipe Massa, na Williams – foram convertidas em vitórias. Porém, ainda assim, Hamilton e Rosberg bateram o recorde de maior número de conquistas em um ano, ao vencerem, juntos, 16 das 19 provas, superando os 15 triunfos da McLaren em 1988 (ainda que, percentualmente, Senna e Prost tenham levado 93,75% das provas).
Outro recorde da equipe é de número de pódios no ano, 31. Isso significa um aproveitamento de mais de 81,5% e supera em dois a melhor marca anterior, da Ferrari em 2004. Também caiu por terra o recorde de número de dobradinhas em uma temporada: Hamilton e Rosberg fizeram 11, contra 10 da dupla Senna e Prost em 1988.
Por outro lado, mesmo com a temporada mais longa, a Mercedes também não conseguiu superar o recorde de número de voltas na liderança da McLaren de 1988: 1003 contra 978. Levando em consideração que a temporada de 26 anos atrás teve 1031 voltas no total, é muito improvável que essa marca seja batida um dia em termos percentuais!
Não coincidentemente, Hamilton teve seu melhor ano disparado em termos de números: foram 11 vitórias em 2014, sendo que o máximo que o piloto, único do grid a ter vencido em todos os anos nos quais correu na F-1, tinha conseguido tinham sido 5 em 2008; sete poles (igualando 2012 e 2008) e 16 pódios (superando os 12 do ano de estreia, em 2007).
Curiosamente, o GP de Abu Dhabi marcou a primeira volta mais rápida da carreira de Daniel Ricciardo. Felipe Massa, por sua vez, liderou 14 voltas, mesmo número do GP da Áustria. Para encontrar um GP em que tenha estado na frente por tanto tempo, temos de voltar ao GP da Alemanha de 2010. Este, também, foi o ano em que conquistou mais pódios (3) desde aquela primeira temporada ao lado de Fernando Alonso na Ferrari.
