Um carro mais equilibrado e que parece fluir nas curvas, ao contrário do sempre nervoso F14T. Uma unidade de potência que responde aos comandos do piloto de maneira consistente. E Kimi Raikkonen voltou a saber o que está fazendo. Do outro lado dos boxes, um piloto que também sofreu em um carro com o qual não conseguiu se adaptar ano passado pode voltar a guiar como nos velhos tempos.
Mais fácil de controlar simplesmente por ser melhor, o SF15T é combina mais tanto com o estilo do finlandês, quanto com o recém-chegado alemão e traz consigo a dúvida: quem vai prevalecer no duelo interno da Ferrari?
Primeiro, voltemos aos estilos de pilotagem de certa forma similares dos companheiros de Scuderia. Raikkonen caracteriza-se pela grande habilidade em modular o acelerador e à sensibilidade aos sinais do volante. O que vimos em 2014 foi Kimi muitas vezes frear, esperar a frente se normalizar e então reacelerar. Nesse processo, perdia o embalo e, quando chamava o acelerador, a falta de tração da Ferrari ficava ainda mais evidente, junto de um decorrente desgaste de pneus.
Vettel é outro que prefere a frente presa, que lhe dá confiança para atirar o carro nas curvas e manter um nível alto de velocidade enquanto as contorna. Uma resposta mais precisa do torque do motor de 2015 da Ferrari é um ponto importante para que ele consiga impor seu estilo de pilotagem, que ficou amortecido ano passado.
Passadas as primeiras quatro etapas do campeonato, vimos um Vettel certamente mais forte em classificação e um Raikkonen, azares à parte, levemente superior em corrida (especialmente nas duas últimas etapas). Isso é facilmente explicável: a precisão que o finlandês tem ao volante, quando o equilíbrio do carro permite que ela seja aplicada, ajuda na conservação dos pneus.
Da mesma forma, como o campeão de 2007 tende a contornar as curvas de forma mais lenta e girando menos o volante que Vettel, coloca menos energia nos pneus, o que faz com que eles demorem mais a entrar na temperatura correta em uma volta lançada. E, se os Pirelli parecem ter uma característica especial neste ano, é sua estreita janela de funcionamento.
Por isso, vemos Raikkonen cometendo erros que o companheiro não faz nos treinos, especialmente nos inícios das voltas, quando a influência de pneus menos aquecidos é maior. Da mesma forma, ele tem conseguido estender seus stints nas corridas, como vimos mais claramente em sua primeira prova limpa do ano, no Bahrein, onde também controlar a temperatura dos pneus foi especialmente importante.
Em Barcelona, muito provavelmente o cenário será mais parecido ao da China: não deve fazer calor suficiente para os pneus serem um problema como na Malásia ou no Bahrein, mesmo com curvas que colocam muita energia neles. Porém, será curioso ver como o duelo interno da Ferrari será em Mônaco, com compostos mais macios, o que tende a aproximar os pilotos em classificação, mas com alta durabilidade durante a prova.
Seja como for, é uma boa notícia ver ambos os campeões com um carro com o qual se sentem mais à vontade e podem lutar pelas posições da ponta. Uma vez que o que vimos ano passado não combina muito com o que sabemos que Vettel e Raikkonen são capazes de fazer.
