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Com ou sem cirurgia plástica?

Se há algo visivelmente diferente nos carros desta temporada que se inicia em uma semana, são os bicos. Mas nem tanto quanto se imaginava.

O regulamento deste ano abriu uma brecha para que as equipes revestissem o degrau formado pelas mudanças nas regras do ano passado. Uma medida puramente estética, tanto, que a peça foi apelidada pelos ingleses de modesty panel, ou painel de modéstia. O termo vem de placas que eram colocadas na frente das mesas de secretárias para esconder suas pernas. E, como cirurgia plástica não faz sucesso na F-1 a não ser em grid girl, nem todos adotaram a novidade.

Os bicos com degrau surgiram ano passado visando aumentar a segurança dos pilotos. Na verdade, eles são o resultado de uma regra que buscou diminuir a altura dos bicos, algo pensado após o acidente na primeira volta do GP de Abu Dhabi de 2010, quando Michael Schumacher rodou e viu Vitantonio Liuzzi chegar perigosamente perto de seu capacete, em um raro choque frontal. Para evitar isso, a FIA determinou que a altura limite dos bicos caísse de 625mm para 550mm. Porém, como a altura do monocoque não foi alterada, criou-se um degrau de 75mm.

A nova mudança deste ano não quer dizer que a preocupação com a segurança foi deixada para trás. A estrutura permitida para, literalmente, cobrir o pouco estético degrau – e, por que não, aumentar a visibilidade dos patrocinadores nesta área – deve ser fina o bastante para se desfazer em caso de choque, evitando que se torne uma rampa de lançamento do bico em direção à cabeça do piloto em choques frontais.

Cobrir ou não cobrir?

Para as equipes, a decisão de usar o tal painel da modéstia não foi fácil. E a temporada deve começar na Austrália com diversas soluções, desde a manutenção do degrau de Caterham e Lotus, passando pelos interessantes “escorregadores” de Sauber e Red Bull, com as laterais mais altas que o centro, e as linhas harmônicas de Ferrari e McLaren.

As diferentes soluções decorrem da difícil equação entre os prós e contras do painel. O benefício é tornar o fluxo de ar na região mais harmônico, o que altera toda a interação com as laterais e o difusor. Além disso, elimina-se uma área de alta pressão causada pelo salto abrupto do ar.

O lado negativo é relacionado ao peso adicional em um lugar no qual ele é bastante indesejado. Estamos falando de poucas centenas de gramas, mas elas estariam em uma região muito alta e muito para frente do carro. Não é por acaso que tudo o que é mais pesado está o mais baixo possível: isso diminui o movimento lateral nas curvas e faz com que a suspensão se concentre mais em otimizar a altura do carro – e mantê-lo “no chão” é a grande busca dos engenheiros para ganhar velocidade.

Não por acaso, vemos soluções bem diferentes no grid, que têm a ver com o comprometimento de peso ou de aerodinâmica e com a interação com o restante dos carros. E, de item estético de primeira necessidade, os painéis se tornaram um interessante palco de novas ideias.

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