
Últimas voltas do GP dos Estados Unidos. Nico Rosberg liderava uma corrida muito complicada por conta da chuva e estava prestes a adiar a comemoração do terceiro título mundial de Lewis Hamilton. Mas ele comete um erro, sai da pista, e é ultrapassado pelo inglês, que confirma o título.
Era quase impossível que Lewis perdesse aquele campeonato. Afinal, ainda faltavam três corridas para o final da temporada e sua vantagem era enorme. Mas aquele episódio mudou completamente a forma como Rosberg passou a encarar o desafio de bater um dos melhores pilotos que a Fórmula 1 já viu.
A partir do GP dos Estados Unidos de 2015, Rosberg percebeu que tinha que ser perfeito e agressivo na pista. E praticamente anular-se fora dela.
As três vitórias do alemão nas etapas finais daquele campeonato foram vistas por muitos como resultado do relaxamento natural de um Hamilton já campeão, mas acabaram provando ser o início da virada. Afinal, a partir dali, Rosberg mostrou que aproveitaria toda e qualquer brecha dada por Hamilton. Inclusive mentalmente.
Sim, o inglês teve seus problemas técnicos, tanto no começo da temporada, quanto no final, mas não foi tão brilhante quanto nas duas temporadas anteriores. Baku e Cingapura foram dois exemplos claros, assim como Suzuka. E em todos esses momentos Rosberg estava lá para aproveitar.
Curiosamente, toda essa mentalidade que acabou lhe colocando em posição de conquistar o primeiro título da carreira, veio com um custo considerável. O alemão, que havia dado algumas boas histórias para a imprensa no passado – ainda lembro do clima da sala de imprensa quando Hamilton relevou que o companheiro tinha dito que batera nele “para provar seu ponto de vista” na Bélgica em 2014 – resolveu se anular. Virou aquele piloto que desestimula qualquer pergunta, pois sempre responde o mesmo.
Isso, contudo, foi claramente uma tática para bater Hamilton. E a maneira como o alemão reagiu a seu título apenas comprovou isso. “Ele parece não ser humano”, definiu um colega inglês depois de presenciarmos sua coletiva de imprensa logo após a conquista. O olhar perdido, respostas mais vagas e repetitivas do que o normal, o choro que teimava em não deixá-lo raciocinar direito. Vimos hoje um Rosberg que há muito tempo não aparecia. E que fez aquela ferida de Austin se tornar um título mundial.