Julianne Cerasoli

Como Button pulou de último a 1º em 30 voltas?

Foram vários os fatores que atuaram no dia de glória de Button

Das 70 voltas do GP do Canadá, apenas 38 tiveram bandeira verde. E o vencedor da prova era o último na volta 40. Como explicar isso? A combinação entre o grande ritmo com os pneus intermediários – muito provavelmente devido ao acerto com maior carga aerodinâmica escolhido pela McLaren – o recorde de seis Safety Cars – que fizeram Vettel perder cerca de 20s na ponta – e a aposta no momento correto em colocar os pneus slick garantiram uma das mais impressionantes recuperações da história.

Ainda que Button tenha visitado os boxes por seis vezes, cinco delas foram antes do quinto e penúltimo Safety Car – causado por ele mesmo, na colisão com Alonso. Naquele momento, o inglês começava uma prova de 30 voltas, a 12s do líder Vettel, com 20 carros entre os dois. Tinha pneus intermediários novos e um carro que voava nestas condições.

Em 10 voltas, ultrapassou sete carros na pista e foi beneficiado por algumas paradas nos boxes, ou seja, era nono quando, provavelmente a McLaren observou os setores roxos (de mais rápido da pista) que Webber conseguia com pneus para seco e fez sua última parada. A reação inteligente da equipe fez com que Button ganhasse mais quatro posições, pulando para quinto, a pouco menos de 20s de Vettel – a culpa da diferença não ter crescido mais nestas voltas em que o inglês lutava por posições pode ser colocada na Red Bull, que demorou para mandar o alemão para os boxes (três voltas depois do companheiro) e, com isso, perdeu 8s em relação à McLaren.

Vettel, tateando com os pneus slick, fez uma segunda volta após a parada lentíssima, o que diminuiu a diferença para a casa dos 15s. Com 15 voltas para o final, Button era de longe o homem mais rápido da pista, passara Kobayashi e chegava na briga de Webber e Schumacher.

Mas será que o inglês conseguiria tirar os 13s que agora o separavam de Vettel, tendo que ultrapassar dois carros no meio do caminho, e tendo apenas 14 voltas? Tudo leva a crer que isso só foi possível graças ao Safety Car provocado por Heidfeld na volta 57. Isso colocou o inglês grudado no australiano e no alemão e cortaria os 10s de vantagem que Vettel administrava àquela altura.

Button passaria ambos na volta 64 e começaria a tirar a diferença, que agora era de cerca de 4s para o líder Vettel, com seis voltas para o final. Na última delas, o alemão pisa no molhado e escorrega na freada, o que nos privou/salvou de ver uma corrida decidida na última reta, com a ajuda da asa traseira móvel.

Button parece ter encontrado aderência onde ninguém mais viu – e não pela primeira vez – quando a pista estava secando. Isso é fato. Mas, olhando de perto, teve tudo de seu lado: a aposta do time por um acerto que prejudicou a classificação, mas salvou seu ritmo de corrida; uma pista em que era possível ultrapassar; uma decisão estratégica perfeita e dois Safety Car sob medida.

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