Julianne Cerasoli

Como Rosberg pode bater Hamilton?

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“Como está o combustível do outro carro?”, questionou Nico Rosberg nas últimas voltas do GP da Austrália. “Não posso te dar essa informação”, respondeu o engenheiro, Tony Ross.

Essa será uma dura realidade com a qual o alemão já devia ter se acostumado: as restrições à comunicação via rádio. Piloto estudioso e atento aos mínimos detalhes, Rosberg por diversas vezes demonstrou apoiar sua maneira de disputar as corridas baseando-se nas informações passadas pelo engenheiro. E a proibição da comunicação livre, que começou em Cingapura e vem ficando cada vez mais clara desde então, o atinge diretamente na briga com Hamilton.

Ainda mais se o quadro da Austrália se mostrar o padrão da temporada. Com os pneus mais duros e os carros mais estáveis nessa segunda geração do regulamento dos motores híbridos V6 e aerodinâmica restrita, o desgaste perde força enquanto fator que pode fazer diferença na briga direta. É uma perda importante, uma vez que é algo que pode ser observado pelo piloto que vem atrás, que percebe se há mais ou menos desgaste pelas linhas que o rival consegue adotar.

Tendo o mesmo carro – e portanto, as mesmas armas em termos de equipamento – que o companheiro, resta a Rosberg apostar no menor consumo de combustível para bater Hamilton. Mas como ele vai saber se pode usar essa arma se não tiver informação?

O próprio Rosberg reconhece a dificuldade. “Esperava que meu companheiro tivesse menos gasolina do que eu no final da corrida, então eu poderia ir mais rápido para atacar. Perguntei ao meu engenheiro a situação do combustível, mas ele não tinha permissão para responder. Se eu soubesse que Lewis estava economizando, seria uma motivação a mais. Sem resposta, me restou acelerar tudo e torcer para que ele tivesse gasto mais do que eu. Mas estávamos com o mesmo volume”, explicou logo após o GP da Austrália.

A questão é que Hamilton tende a consumir menos combustível que Rosberg, devido a seu estilo de pilotagem, uma vez que consegue carregar mais velocidade nas curvas e precisa de menos reaceleração. E isso explica como o inglês, mesmo indo à frente, ‘de cara para o vento’, conseguiu equilibrar o consumo com o companheiro. É como se o ciclista que enfrenta a subida na frente chegasse no topo da montanha com tanto gás quanto quem pegou seu vácuo.

Essa tendência de Hamilton consumir menos combustível é preocupante mesmo quando Rosberg conseguir largar à frente. Pois o inglês terá a vantagem de estar atrás e, como já consome naturalmente menos, teria mais chances de pelo menos pressionar o alemão do que na situação inversa.

Está claro que é nesse quesito que Rosberg tem de trabalhar. E é um ponto em que é possível um piloto evoluir, vide o trabalho que o próprio Hamilton fez em 2013 para chegar onde está agora. Garantindo-se na pista, quem sabe o alemão desiste de pedir ao engenheiro algo que simplesmente não faz mais parte do jogo.

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