Julianne Cerasoli

Como Vettel e Grosjean conseguiram? Entenda as estratégias do GP da Índia

A opção que pilotos e equipes tinham de fazer na classificação não era simples: largar com pneu macio e parar logo de cara não era um plano tão ruim quanto poderia parecer em termos de tráfego por dois fatores: as ultrapassagens seriam facilitadas porque os demais não lutariam para preservar seus pneus e a zona de DRS foi aumentada neste ano.

Mas, para ajudar nas primeiras voltas logo após a parada antecipada, fundamentais para superar a estratégia de quem largaria com médios, era preciso sacrificar um pouco o acerto de classificação e apostar em uma relação de marchas mais longa para ultrapassar. Usando a vantagem de seu carro, que deu a impressão de que se classificaria na ponta com qualquer configuração na Índia, Sebastian Vettel seguiu a cartilha com perfeição para eliminar Mark Webber, que havia se tornado uma ameaça real ao se classificar em quarto mesmo com os pneus médios.

A tática adotada pelo australiano era atrativa para quem se via em posição de arriscar, sem ritmo para lutar de igual para igual. Mas havia pontos negativos: não era garantido que os macios durassem muito mais se usados ao longo da prova e largar mais atrás por ter se classificado com pneus mais lentos sempre adiciona uma dose de risco.

Foi o que perceberam Alonso e Button logo nas primeiras curvas.  Com isso, sobraram no top 10 Webber e Perez, único que fez a estratégia funcionar, obtendo um sexto lugar que o ritmo da McLaren não permitia. Webber se complicou ao perder terreno na largada (nenhuma novidade até aí), e ficou longe da briga pela vitória já na metade da prova também pela primeira parte primorosa de Vettel.

Na mesma estratégia de Massa, Rosberg e Hamilton, o alemão tinha 19s sobre o grupo liderado pelo brasileiro na volta 21. Isso por ter aberto caminho com facilidade, pelo próprio ritmo da Red Bull e também porque a Ferrari claramente segurava as Mercedes. Assim, na volta 27, quando Vettel só tinha 10s de desvantagem para Webber mesmo com um pitstop a mais, a prova estava ganha.

Voltando ao grupo de Massa e as Mercedes: o time alemão fez uma brilhante jogada ao separar as estratégias de seus pilotos – ousou ao antecipar a parada de Nico na volta 27, decisão ajudada pela durabilidade maior que a esperada dos pneus médios. Isso deixou a Ferrari perdida entre cobrir Rosberg e evitar o undercut e permanecer na pista e usar a aderência adicional no final do stint, cobrindo Hamilton, que não entrara. Nessa indecisão – Massa só pararia três voltas depois – perderam posição para Rosberg e Grosjean.

Não acredito que o francês entrava nas contas ferraristas naquele momento. Afinal, a Lotus desafiou a recomendação da Pirelli – assim como a Force India – e fez stints mais longos do que as 35 voltas colocadas como limite para os médios para tentar fazer uma parada com ambos os pilotos. Grosjean ficou 47 e Raikkonen, 51 com o mesmo jogo de pneus.

A corrida de Grosjean foi particularmente impressionante. Ele conseguiu levar o pneu macio até a volta 13 pois seu jogo era novo (não havia sido usado na classificação, ao contrário do de Raikkonen, que parou na volta 7). Estas seis voltas fizeram a diferença no final e lhe deram a chance de chegar ao pódio vindo de 17º. Mas a pilotagem dosada do francês também foi espetacular: sua volta mais rápida foi no 57º giro, quando seus pneus já tinham 44 de uso!

Fica a lição, portanto, de que estratégia sozinha não ganha jogo. Ela sempre precisa estar casada com a forma do piloto conduzir e as possibilidades de ritmo que o carro apresenta.

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