Julianne Cerasoli

“Correndo” nas ruas de Mônaco

É fato que o GP de Mônaco historicamente é ganho até com facilidade com apenas uma parada no box. Mas não deixou de chamar a atenção o fato de, mais uma vez, os pilotos terem corrido com o “freio de mão puxado” para fazer a melhor estratégia na pista funcionar. No caso de Mônaco, esse sempre foi o caso porque se “a” pista em que a posição de pista ganha vantagem em relação a qualquer outra tática. Mas o que estamos vendo é que, em que pese a competitividade do campeonato, o que nos fez ter resultados até aleatórios na temporada até aqui, os carros atuais fazem brotar aqui e ali cada vez mais Mônacos, mesmo com os pneus mais macios que a Pirelli já fez.

Esse está longe de ser um problema novo, mas em 2011 o combo DRS e pneus de alta degradação pareceu ter dado uma nova cara às corridas. A Ferrari, com Alonso, chegou a ganhar uma corrida com quatro paradas no box, em uma performance alucinante do espanhol. Porém, especialmente após as alterações de 2017, esse tipo de tática passou a ser impossível porque simplesmente é preciso uma diferença abismal para sequer tentar uma ultrapassagem.

Sabendo disso, a Pirelli tornou seus pneus mais macios e criou o hipermacio, o que em teoria significa dois degraus acima em termos de degradação em relação ao ultramacio do ano passado. E o que aconteceu? Mais uma vez valeu mais a pena andar devagar e sempre do que efetivamente disputar uma corrida em Mônaco.

Não por acaso, Hamilton saiu do carro dizendo que, se estivesse no sofá de casa, estaria dormindo. Isso não aconteceu por conta de uma excelente pilotagem de Daniel Ricciardo, que superou uma perda significativa de motor de maneira tão brilhante que Vettel sequer chegou a pressioná-lo. O australiano falou que perdeu o MGU-K. Se foi esse mesmo o caso, ele tinha uma desvantagem de cerca de 160 cavalos para Vettel e também não podia usar a oitava marcha para não danificar o motor. Ou seja, no único ponto de ultrapassagem do circuito, estava exposto, mas conseguia se garantir focando no trecho entre o Cassino e a Portier.

Existe, contudo, o outro lado da história. Vettel disse que desistiu de tentar qualquer coisa porque, caso contrário, temia que os pneus ficassem num estado muito ruim. E isso basicamente acabou com suas opções de vitória.

Quem também evitou um sono coletivo foi Max Verstappen, mais pela expectativa gerada do que pelo que ele mesmo conseguiu fazer na pista. No início, passou de maneira limpa os rivais mais lentos e depois passou grande parte da corrida andando no mesmo ritmo de Alonso e tentando levar os pneus ultramacios ao maior número de voltas possível antes de colocar os hipermacios para atacar no fim. Ou seja, estava sendo bem mais lento do que poderia porque ser rápido não adianta quando não se tem posição de pista em Mônaco.

Em mais um final de semana sólido, Pierre Gasly conseguiu fazer os hipermacios – aqueles que deveriam derreter em pouco tempo – durarem até a volta 43: perguntei como e ele disse “boa pergunta”, mas creio que já temos a resposta. É porque ele pilotou bem mais devagar do que poderia.

Isso surpreende em Mônaco? Não. A grande empolgação do Principado é o limite tênue entre ser um Ricciardo e ser um Verstappen: o próprio Gasly disse que tocou a mesma barreira que o holandês na classificação, mas conseguiu se safar. Mas é uma tendência que nem mesmo os pneus chiclete puderam resolver.

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