
“Com Senna morre esta Fórmula 1”, dizia a capa da Gazzetta dello Sport do dia 2 de maio de 1994. Difícil saber exatamente a que os editores se referiam em uma época em que os pilotos já estavam em pleno processo de perda de importância frente à tecnologia e na qual os tempos de grande rivalidade entre o brasileiro e especialmente Prost tinham passado. Talvez tenha sido o último suspiro de tudo isso que se esvaiu há 22 anos.
Vi essa manchete recentemente em uma exposição – que ainda está aberta ao público, inclusive – no circuito de Monza, na Itália. Chama-se ‘Senna: A Última Noite’, com coleção de fotos do renomado Ercole Colombo, objetos do tricampeão e a reconstituição de seus últimos passos. Não é segredo que Ayrton entrou em seu carro para o GP de San Marino extremamente preocupado com a segurança.
E é justamente por isso que a manchete faz sentido. A Fórmula 1 dos gladiadores que desafiam a morte acabou mesmo naquele 1º de maio. Ver o maior ídolo que o esporte já teve morrer ao vivo foi um golpe tão duro que só revivendo aqueles momentos é possível sentir novamente a dimensão de tudo o que aconteceu há mais de duas décadas.
Nesse contexto, chega a ser difícil de acreditar que, na primeira vez em que uma corrida coincide com um 1º de maio desde 1994, Bernie Ecclestone faça uma de suas aparições relâmpago na sala de imprensa só para criticar qualquer ideia de aumentar a proteção de cockpit.
Na corrida, aconteceu muito do que se previa. Mais uma largada de selvageria foi decisiva para o andamento da prova – e, pela primeira vez, funcionou a favor de Hamilton. O inglês, como Alonso, escaparam de punição sabe-se lá como ao ganharem várias posições por fora da pista na primeira curva e não desperdiçaram a chance, tornando-se os dois grandes nomes da prova. A performance do espanhol, inclusive, surpreende ainda por ter vindo em um circuito de potência.
A exemplo do que já mostrou nesse ano nas poucas oportunidades que teve para fazê-lo, Hamilton mostrou que tinha um ritmo mais forte que Rosberg na corrida. Estaria o alemão apenas dosando a vantagem na frente? Ainda teremos de esperar pelo menos até a Espanha para descobrir. Pelo discurso de Nico, ele sabe muito bem o que lhe espera quando Lewis, enfim, tiver um final de semana limpo. Por outro lado, com dois motores tendo apresentado problemas e com 43 pontos de déficit, o tricampeão corre o risco de ficar sem balas na agulha até o fim do ano.
Já a Ferrari veio para Sochi com novidades na aerodinâmica e no motor, fez uma corrida limpa com Kimi Raikkonen, e nem assim convenceu. Ainda que o traçado da Rússia não seja o melhor para a Scuderia, é inegável que é preciso fazer mais. Também devendo em 2016, a Williams aproveitou bem a chance dada pelo circuito, a boa classificação e o strike da primeira volta, que tirou seus três grandes rivais da prova, para somar pontos importantes.
Difícil vai ser segurar a Red Bull em Barcelona, daqui duas semanas. Isso, claro, se a Red Bull conseguir segurar Kvyat.