
Lewis Hamilton ganhou a fama de ser um piloto agressivo, não muito chegado a estratégias, mais Senna que Prost. Mas corrida após corrida o inglês mostra que é bem mais do que só coração na pista. E o GP da Hungria foi mais um exemplo disso.
Com temperaturas acima de 50ºC na pista e sabendo das dificuldades de ultrapassagem do circuito de Hungaroring, o inglês ditou um ritmo deliberadamente lento para se tornar o maior vencedor da história do circuito.
Isso porque a expectativa antes da prova era de que o desgaste dos pneus fosse mais crítico do que foi observado, algo que surpreendeu até a Pirelli, cuja recomendação máxima para o supermacio era de 14 voltas – e Kevin Magnussen chegou a fazer 24 ainda no início da prova. O fato da maioria dos pilotos terem conseguido permanecer mais tempo na pista na parte inicial acabou simplificando o restante da prova, e também gerando poucas variações estratégicas.
Uma delas foi justamente gerada pelo ritmo em ‘banho-maria’ de Hamilton, uma vez que a Red Bull chegou a imaginar que poderia antecipar sua parada e provocar uma mudança de planos da Mercedes. Neste momento, contudo, após a segunda parada de Ricciardo, Lewis demonstrou o ritmo que tinha na manga e deixou claro que as Mercedes estavam imbatíveis.
O risco assumido pela Red Bull ao antecipar a parada de Ricciardo quase custou um pódio à equipe, uma vez que expôs o australiano ao ataque de Sebastian Vettel, com pneus 8 voltas mais novos, na parte final da prova. Porém, são justamente as apostas feitas pelos estrategistas do time anglo-austríaco em termos de estratégia que têm sido importantes para que a vantagem da Ferrari no campeonato de construtores tenha caído significativamente: nas últimas três provas, a Red Bull marcou 83 pontos, contra 47 da Ferrari.
Na Hungria, porém, o time italiano pelo menos entendeu que a posição de pista era mais importante que ter os pneus em excelentes condições no final, por ser um circuito travado, e antecipou a primeira parada de Vettel, algo fundamental para ele ganhar a quarta posição de Verstappen. Afinal, a Red Bull teve de reagir com o carro que vinha à frente e o holandês acabou demorando demais para parar. No final do segundo stint, contudo, a Red Bull foi mais agressiva ao parar Ricciardo bem cedo, dificultando a briga por um pódio. Mas pelo menos a Scuderia foi bem nas estratégias, percebendo a força do supermacio e permitindo que Raikkonen fizesse dois stints com o composto, em uma escolha que pareceria ousada antes da largada.
Ousadia, aliás, que faltou à Sauber. Mesmo ainda com bom ritmo e relatando que os pneus estavam em boa forma, Felipe Nasr foi o primeiro a ser chamado aos boxes, na volta 11. Isso comprometeu sua corrida, uma vez que o brasileiro ficou preso atrás da Manor, bem mais rápida nas retas, e calcula que tenha perdido cerca de 8s. Mesmo fazendo stints mais longos que os rivais a sua volta, novamente conseguiu fazer os pneus macios durarem mantendo um bom ritmo. Pelo jeito os estrategistas da Sauber precisam confiar mais em seus pilotos.