Julianne Cerasoli

Curiosidades de Abu Dhabi e a volta do equilíbrio na F1

Sebastian Vettel se tornou o campeão do mundo mais jovem da história da F1, reforçando uma tendência de queda na idade dos que chegam ao título. Ele é o 3º em 5 anos a bater uma marca que durou 33 anos nas mãos de Emerson Fittipaldi – em 2005, Alonso venceu com 25 anos; em 2008, Hamilton estava perto de completar 24 e hoje, o alemão tem 23.

Mas a conquista é marcada por uma estatística ainda mais interessante: Vettel jamais havia chegado à liderança do campeonato antes da última etapa da última prova e se tornou o 2º alemão campeão do mundo. O país levou o título pela 8ª vez em 17 temporadas, média pouco acima de uma conquista a cada 2 anos. É, também, apenas o 3º piloto da história a vencer chegando na última corrida da temporada em 3º na tabela – sendo os outros Guiseppe Farina em 1950 e Kimi Raikkonen, em 2007.

E pensar que a Alemanha era um país sem tradição na F1 há menos de 2 décadas

Chegado a números e estatísticas, Vettel largou da pole pela 15ª vez na carreira – 10ª no ano –, equiparando-se a Felipe Massa. No entanto, tem 62 largadas na F1, contra 133 do brasileiro. A vitória que lhe deu o título foi a 10ª na categoria, mesmo número de James Hunt, Ronnie Peterson, Jody Scheckter e Gerhard Berger.

A melhor volta, no entanto, ficou com Lewis Hamilton, curiosamente apenas pela 8ª vez na carreira – sendo 5 só neste ano, mesmo número de Alonso, que levou o troféu da DHL como piloto mais rápido do ano por ter mais segundas voltas mais rápidas que o inglês. O resultado ajudou a McLaren a se firmar como a única equipe que pontuou em todas as etapas e a manter o 2º lugar no campeonato de construtores, à frente de uma Ferrari que foi superior em performance na metade final de 2010.

O pódio de Abu Dhabi contou com os 3 últimos campeões do mundo. No Canadá neste ano tivemos Hamilton, Button e Alonso nas 3 primeiras colocações, mas para encontrar os vencedores de maneira consecutiva, temos que voltar ao GP da Austrália 88, que teve Prost (86), Senna (88) e Piquet (87) estourando champagne.

O GP da Austrália de 1988 deve pódio de campeões e uma cena rara

Depois do domínio sem precedentes de Schumacher que culminou com o heptacampeonato, nos últimos 5 anos, temos tido campeões diferentes. O recorde de “caras novas”, no entanto, vai para o período de 1976 a 1982, quando tivemos coroados James Hunt, Niki Lauda, Mario Andretti, Jody Scheckter, Alan Jones, Nelson Piquet e Keke Rosberg.

Outro sinal de equilíbrio é que, pela 3ª vez seguida, o atual campeão do mundo chegou à última prova sem chances de repetir o feito. Antes disso, temos que voltar a 2000, com Hakkinen, e 1998, com Villeneuve, para encontrar situações semelhantes.

A temporada terminou, mesmo com mais pontos sendo dados que em qualquer época da F1, com apenas 16 de diferença entre o 1º e o 4º colocados. A menor distância do ano havia acontecido após o GP do Canadá, quando Hamilton, Button, Webber e Alonso estavam divididos por 15 pontos. Curiosamente, Vettel era apenas o 5º naquele momento e o vice-campeão da Ferrari, o 4º.

Continuando a “maldição” do líder do campeonato, desde o GP da Turquia do ano passado, o melhor colocado na tabela não vence a prova. Outro dado interessante é que, pelo 3º ano seguido, o atual campeão do mundo só venceu 2 vezes na temporada em que defendia o título: foi assim com Raikkonen em 2008, Hamilton em 2009 e Button em 2010.

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