Julianne Cerasoli

Curvas longas e frio também combinam com vermelho?

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Depois da verdadeira corrida de resistência da Malásia ter chacoalhado o campeonato, a performance aerodinâmica, a tração e a capacidade de colocar temperatura nos pneus e se livrar do graining serão colocadas à prova no GP da China. E, se a teoria indica que será uma corrida que a Mercedes só pode perder para ela mesma, na prática, depois do que vimos há duas semanas, nem mesmo os pilotos do time alemão colocam a mão no fogo por mais uma vitória fácil.

O circuito de Xangai é um dos poucos que colocam mais pressão nos pneus dianteiros do que nos traseiros, tendo gerado alguns resultados incomuns ao longo dos anos. Porém, se existe alguma comparação para as condições enfrentadas na primavera chinesa, teríamos de voltar à pré-temporada na Espanha, em outro circuito de curvas longas e grande influência aerodinâmica. E, lá, a Ferrari não fez feio, como Kimi Raikkonen fez questão de lembrar.

A aerodinâmica é importante na China porque passa-se cerca de 80% da volta nas curvas, ao mesmo tempo em que o circuito tem uma das maiores retas do campeonato, com 1,17km. Então é fundamental encontrar o comprometimento no acerto do carro, algo que é sempre ajudado por uma melhor performance aerodinâmica geral.

Esse excesso de curvas também coloca muita energia nos pneus. Tanto durante a curva em si, na qual há uma energia lateral, especialmente no dianteiro esquerdo, quanto nas saídas de curva. Assim, carros com pior tração tendem a também sofrer degradação na traseira.

Por fim, a temperatura mais baixa pode ocasionar graining, e saber ler o que é degradação de verdade e o que é apenas uma fase de ‘sujeira’ no pneu é importante para fazer a estratégia funcionar. Estratégia, inclusive, que deve ficar entre duas e três paradas, tendendo para duas. Ano passado, por exemplo, Hamilton venceu com três stints de macios-médios-médios.

Ainda que a semana seja fria em Xangai, com temperaturas na casa dos 15ºC, a previsão é que esquente no final de semana, com os termômetros marcando mais de 20ºC. Ainda que seja consideravelmente menos que os 30 e poucos da Malásia, é algo que certamente chamará a atenção das equipes, pois a pista em si gera mais energia nos pneus e os compostos escolhidos são mais macios do que os de duas semanas atrás.

Para a Williams, deve ser um circuito melhor do que o palco da última etapa. E, se a equipe perder para a Ferrari por uma margem significativa novamente, as luzes de alerta em Grove começarão a tomar outras cores.

Como o FW37 parece ter pouco arrasto, a equipe não precisa diminuir muito a angulação da asa traseira para andar bem na longa reta. Isso é uma boa notícia caso o time se veja brigando com a Red Bull, que não deve sofrer os mesmos problemas que teve há duas semanas com os freios – a equipe anunciou que voltará a usar o equipamento de 2014 – e, segundo a Renault, poderá tirar mais potência e terá melhor dirigibilidade no motor. Os franceses afirmaram que não estavam usando a UP em seus níveis máximos por conta da confiabilidade, mas se dizem mais seguros para a terceira etapa. E a questão da dirigibilidade é especialmente importante devido à questão da tração, ajudando a preservar os pneus.

Mais atrás, a Sauber de Felipe Nasr espera resolver a série de problemas que teve na Malásia. A prova contou com erros de ambos os pilotos, mas a equipe também deixou a desejar: a assimetria dos freios causava bloqueio das rodas, uma falha no software travou o diferencial e um erro no sensor do fluxo de combustível tirou potência do motor. Tudo isso atrapalhou a preparação de Nasr para a corrida, na qual não conseguia fazer os pneus durarem. Para a China, o brasileiro confia que a revisão no acerto da suspensão e uma nova asa dianteira permitam que ele volte a lutar por pontos.

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