Voltas finais do GP. Companheiros de equipe andando junto. Vitória decidida na pista. A história está longe de ser novidade nas últimas etapas, fruto de uma circunstância bastante rara, em que não há uma diferença de prestígio interno entre os dois pilotos, a vantagem é clara o suficiente para o título não corra risco se os pontos se dividirem e o marketing positivo de liberar a disputa é bem-vindo pela Mercedes.
Porém, no GP da Áustria, o gosto é diferente. Afinal, foi lá que uma prática tão velha quanto a Fórmula 1 foi escancarada para o público de uma forma incrivelmente escancarada. Tanto, que até Michael Schumacher, que sempre viu o jogo de equipe com uma naturalidade racional, ficou sem graça. Junto dele, a categoria também ficou, como se estivesse surpresa de ver a reação negativa do público a um “deixe Michael passar pelo campeonato” (na quinta etapa do ano).
A ordem de equipe faz parte, ela às vezes é necessária, como vimos com a Force India justamente nesta prova: com estratégias diferentes, Perez e Hulkenberg perderam menos tempo “se ajudando”. Mas há jeitos e jeitos de fazer isso, até pensando em espectadores mais ocasionais. E esses mais de 10 anos desde que a F-1 foi ao fundo do peço na Áustria, a lição foi aprendida – ainda que tenhamos visto um ou outro tropeço. E ver uma dobradinha justamente em Spielberg, mas de um jeito bem mais saudável, é um alento.
No mais, olhando de fora, a Williams pareceu jogar como time pequeno. Na retranca. Limitou-se a responder ao que a Mercedes fazia, como se soubesse que lutava por uma batalha perdida. E, para Felipe Massa, o pódio mais claro do ano novamente ficou nos boxes. Se é algo ligado ao processo da própria equipe ou se o piloto tem de ser mais preciso ao parar em suas marcas, é algo que tem de ser avaliado internamente – e certamente está, pois vários pontos já foram jogados fora dessa maneira.
Alguém pode resmungar: mas Massa foi 1s mais lento no pit, perdeu 3 posições e teve a corrida toda para se recuperar e não o fez! São fatores estratégicos (demora para responder à parada de Rosberg, retorno à pista no tráfego) aliados ao oportunismo de Hamilton, que aproveitou que Massa estava com os pneus frios, que complicaram a corrida do piloto em um momento capital. Depois, se por um lado o retorno da Áustria foi sucesso de público e agradou o circo em geral, ficou clara a dificuldade em se ultrapassar no Red Bull Ring.
No mais, quem me impressionou foi Alonso. O ritmo forte e impressionantemente consistente estavam lá como sempre, mas é de se admirar que ele consiga isso com um carro visivelmente instável e difícil de pilotar.
