Julianne Cerasoli

Dez segundos

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Os chefes de equipe e engenheiros bem que estavam curiosos para saber qual seria a pena por uma ajudinha para o piloto via rádio. Afinal, um dos pontos nebulosos da regra da mordaça era justamente qual o custo de dizer ao piloto o que ele está fazendo de errado.

Por conta disso, a própria Mercedes e a Force India arriscaram deixar seus pilotos terem falhas de freios no GP da Áustria, algo que custou caro para Sergio Perez, que acabou no muro na última volta. Será que se o time soubesse que a pena é de 10s a história seria diferente?

Escrevo estas linhas assim que a Mercedes divulga que vai apelar da decisão, mas é de se pensar se a punição dada a Nico Rosberg em Silverstone – não por ter sido avisado de uma falha que poderia ter sido terminal, mas por ter recebido instruções de como proceder, que fique claro – não vai entrar na equação quando os times estiverem em situação semelhante. Sim, especialmente para um time como a Mercedes, que costuma administrar vantagens consideráveis durante as corridas, podem haver situações em que será bem mais vantajoso passar a informação e levar a pena do que arriscar que as coisas saiam dos trilhos.

E uma restrição tão abrangente para um carro tão complexo vai perdendo [o que restava de] seu sentido.

Mas, pelo menos neste final de semana em Silverstone, Nico Rosberg poderia ter toda a informação do mundo que parecia ser totalmente incapaz de bater um Lewis Hamilton esbanjando confiança. Não existe nada mais difícil do que bater um piloto que não erra: você faz seu melhor, olha para a tabela de tempos, e ainda está atrás. O tricampeão está longe de ser essa máquina imbatível neste ano mas, pelo menos na décima etapa do campeonato, foi.

Agora, tem tudo para levar essa confiança para outro território em que costuma ser imbatível: Hungaroring. Salvo problemas técnicos, seria muito surpreendente se Hamilton não saísse com 25 pontos do GP da Hungria e, assim, tomasse pela primeira vez a liderança do campeonato, começando a cultivar uma ‘gordurinha’ importante antes de começar a sofrer punições pelas trocas de unidade de potência que virão na segunda metade do campeonato.

Sob condições de pista difíceis, vimos alguns jovens pilotos mostrando serviço. O mais óbvio foi Verstappen, aproveitando-se do ótimo ritmo que a Red Bull, por ser um carro com muito arrasto, tem neste tipo de condição, mas também segurando o carro na pista mesmo andando forte – e passando Nico Rosberg em uma das melhores manobras do ano por fora.

Mesmo sem o benefício de um carro tão equilibrado, Carlos Sainz fez outra corrida competente, mais uma vez arrasando Danill Kvyat e comprovando que a disputa interna na Toro Rosso tinha um nível bem alto.

Outro que repetiu o bom desempenho das últimas corridas, notabilizando-se pelo uso racional dos pneus, foi Felipe Nasr que, como bem definiu após a prova, cumpriu sua missão ao superar as rivais diretas da Sauber, Manor e Renault, e ainda chegar na frente da Haas de Gutierrez, muito em função de decisões acertadas nas duas paradas de pneus.

Por outro lado, Williams e Ferrari ficaram devendo – e tudo leva a crer que pelo mesmo motivo. O aumento agressivo do limite mínimo da pressão de pneus determinado pela Pirelli alterou a maneira dos pneus funcionarem e escancara ainda mais os problemas de falta de pressão aerodinâmica, que estão presentes nos dois carros. E, como o próprio circuito de Silverstone costuma punir que não consegue grudar o carro no chão nas curvas, isso explica por que seus pilotos passaram o GP brigando com seus carros.

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