Julianne Cerasoli

Disputas entre companheiros: as surpresas

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Parecia que Kimi Raikkonen jamais se acostumaria com o torque dos motores turbo híbrido, mas depois das surras que levou de Alonso em 2014 e de Vettel em 2015, o finlandês reagiu. O mesmo aconteceu com Marcus Ericsson na Sauber, ainda que em um ano cheio de particularidades no time suíço, mas que não ajudou em nada o prosseguimento da carreira de Felipe Nasr. E, também envolto em problemas em uma Haas que foi ficando mais e mais perdida ao longo do ano, Romain Grosjean trouxe os pontos para casa, mas teve um duelo bem mais parelho do que era de se esperar com Esteban Gutierrez. Confira as surpresas da temporada:

Ferrari

Raikkonen Vettel
Placar em classificações 11 (-0s124 em média) 10
Placar em corridas 3 10
Porcentagem dos pontos 47% 53%

Um duelo que foi se equilibrando em classificações, mas em aos domingos foi favorável a Vettel. Apesar do alemão ter sido mais efetivo para a Ferrari, 2016 foi o ano em que Raikkonen finalmente justificou seu retorno a Maranello, conquistando pontos importantes para um time que abusou dos erros ao longo da temporada.

Há quem possa perguntar se foi Raikkonen quem melhorou ou Vettel quem caiu, mas quando ambos viram a bandeirada, Raikkonen na maioria das vezes chegou logo atrás, o que costuma indicar que os dois estavam tirando o máximo do carro. E, quando o alemão teve problemas (ou criou seus próprios problemas), o finlandês se aproveitou para conquistar pontos que aumentaram consideravelmente sua participação em relação a 2015, quando marcou apenas 35% do total da Ferrari e levou 15 a 4 em classificações.

Haas

Grosjean Gutierrez
Placar em classificações 12 (-0s071 em média) 9
Placar em corridas 6 7
Porcentagem dos pontos 100% 0%

É até injusto avaliar o desempenho dos pilotos da Haas sem lembrar de todos os problemas pelos quais a equipe passou. Na primeira parte do ano, Grosjean acabou com Gutierrez, mas também é fato que o mexicano contava com uma equipe bem menos experiente, com a maioria dos membros recrutada diretamente da GP2. Apesar dos recursos não serem exatamente um problema, o próprio dono Gene Haas adimitiu ter subestimado o desafio de operar um time de F-1 e é difícil precisar quando Grosjean e Gutierrez correram sem problemas.

No entanto, pelo menos a decisão de apostar no francês pareceu adequada. Conhecido por preservar os pneus e bem mais maduro do que nos tempos em que até foi banido de um GP, Grosjean caiu como uma luva quando o time fez estratégias ousadas e garantiu uma boa quantia com o oitavo lugar nos construtores para melhorar a situação ano que vem.

Sauber

Ericsson Nasr
Placar em classificações 12 (-0s213) 7
Placar em corridas 9 4
Porcentagem dos pontos 0% 100%

Depois de conquistar 75% dos pontos da Sauber em seu ano de estreia, Felipe Nasr teve uma temporada bem mais complicada em 2016, começando com um chassi completamente verde nas quatro primeiras etapas e uma troca que só começou a dar frutos algum tempo depois. A partir do Canadá, o brasileiro começou a reagir, mas uma série de problemas, especialmente em classificação, fizeram com que sua campanha no geral fosse pior do que Ericsson. O sueco, por sua vez, também evoluiu muito, mas também errou muito durante o ano. E, mesmo tendo tido uma temporada melhor, por conta de um destes erros não estava na pista para aproveitar a chance que Nasr agarrou no Brasil para salvar o time da lanterna do campeonato.

A dinâmica foi particular porque, pela maior parte do ano, a Sauber não teve fundos para investir igualmente em ambos os carros – nada de boicote, por favor! – e muitos de seus erros vieram de falhas em procedimentos, que prejudicaram ambos.

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