
O day after do anúncio da saída de Felipe Massa da Fórmula 1 ao final desta temporada foi recheado da mesma pergunta: e Felipe Nasr, está assegurado na categoria ano que vem? Há meses venho ouvindo diversas pistas de colegas e fontes que a permanência do piloto brasileiro é uma certeza. Mas onde?
Especialmente depois das férias de agosto, Nasr parece bastante relaxado em relação a sua situação. Apurei que o brasileiro chegou a conversar na Haas e teria tentado apoio governamental para sua candidatura na Renault. Seu nome também é mencionado no paddock na lista da Williams, justamente para o lugar de Massa.
Isso pode fazer imaginar que as portas estão abertas para Nasr, mas na verdade o que deve desencadear toda a movimentação do mercado é o futuro de Sergio Perez. E, no caso do mexicano, o cenário parece mudar a cada final de semana. Já ouvi que ele ficaria onde está – Perez tem contrato com a Force India, mas seu patrocinadores quiseram avaliar outras opções no mercado e estariam dispostos a pagar para liberá-lo – que estava certo na Renault e, em Monza, os rumores de que seria o novo piloto da Williams e empurraria Button à aposentadoria cresceram.
O fato é que Perez parece segurar a chave do mercado e a divulgação do futuro de Nasr só deve acontecer depois da novela mexicana acabar. Ao mesmo tempo, na entrevista desta sexta-feira, em Monza, Felipe falou como se já estivesse acertado com a Sauber para a próxima temporada. Ao comentar sobre as caras novas que estão chegando na equipe após a venda para o grupo de investimento suíço, falou, conjugando os verbos na primeira pessoa do plural, de maneira otimista.
De fato, ficar na Sauber parecia a última das opções em meados de junho, mas muita água passou por debaixo da ponte desde então. Conversando com os membros do time, a sensação é de que o dinheiro que vem dos novos donos é o bastante para investir pesado em diversas áreas que vinham enfraquecidas nos últimos anos. E, rapidamente, o time se tornou atrativo para os profissionais que estavam em outros times do meio do pelotão.
Ao mesmo tempo, a falha da Williams em desenvolver seu carro neste ano, escancarando o fato dos bons resultados de 2014 e parte de 2015 tem vindo muito em função da vantagem, que tende a ser ainda menor em 2017, do motor Mercedes, coloca dúvidas na capacidade do time até mesmo se manter como quarta ou quinta força no campeonato do ano que vem.
Já na Renault, é difícil encontrar alguém no paddock que realmente aposte no time. Fala-se em um investimento de 50 milhões, mas que seria diluído em cinco anos – e isso na F-1 é o chamado dinheiro de pinga. Ainda mais para uma equipe bastante enfraquecida pela falta de investimento na parte técnica de 2013 para cá, quando a situação dos ex-donos Genni começou a se deteriorar.
Como em toda mudança de regulamento, é muito difícil prever quem vai prevalecer e qual seria o melor destino para Nasr. Porém, pelo menos em relação ao futuro imediato do Brasil na Fórmula 1, a essa altura seria uma surpresa se ficarmos sem representantes em 2017.