O time pode amargar duas temporadas sem vencer e ter terminado apenas em quinto no campeonato, por vezes até lutando para entrar no top 10. Mas não é exagero dizer que a McLaren ocupa, hoje, o papel já foi da Mercedes há dois anos: de melhor aposta para o futuro. Mas o prazo para esse futuro é mais difícil de precisar do que no caso dos alemães.
Isso porque não há uma grande mudança de regulamento, daquelas que promovem um chacoalhão na relação de forças, em vista. Ainda que a equipe esteja se fortalecendo de maneira inteligente para voltar a ser grande, precisa descontar um gap considerável – ao mesmo tempo em que Mercedes e companhia também não estão estacionadas.
A busca por tirar o prejuízo atinge todas as áreas: os projetos de Tim Goss não vinham convencendo há algum tempo, e em 2015 veremos o primeiro carro de Peter Prodromou, discípulo de Adrian Newey. E, em termos de desenvolvimento, pela primeira vez em algum tempo a propagandeada habilidade da equipe em melhorar ao longo do ano foi vista em 2014.
A nova McLaren também busca retomar as vantagens de funcionar como uma equipe de fábrica, agora para a Honda. Apesar dos riscos de estrear uma tecnologia tão complexa com um ano de atraso em relação às outras montadoras, pelo menos os ingleses e os japoneses poderão ter a troca de informações irrestrita que funcionou muito bem na Mercedes.
Economicamente, a equipe também vai bem, sendo a que obteve o maior lucro em 2014 – na casa dos 40 milhões de dólares – muito em função de um novo acordo unilateral com Bernie Ecclestone, nos moldes da Ferrari. E Eric Boullier é um chefe da equipe experiente no meio automobilístico, sabe o que está enfrentando.
Certamente foi esse conjunto de fatores que atraiu Fernando Alonso ao que ele gosta de chamar de “projeto” – e não um retorno à companhia de Ron Dennis. Uma manobra de risco? Sim. Mas depois de esperar (sem grandes frutos) a Ferrari descontar a distância aberta com a mudança de regras de 2009 e depositar suas fichas que uma F-1 menos influenciada pela aerodinâmica pudesse representar o pulo do gato para os italianos, até penar com o projeto verde da McLaren-Honda e trabalhar com o desafeto virou uma opção atraente. Para ambos os lados.
E parece que a opção por Jenson Button, que fez sua melhor temporada desde 2011 neste ano, como seu companheiro é sua primeira vitória interna. Ruim para a McLaren, que atesta a falha em seu programa de desenvolvimento ao dispensar Magnussen após apenas uma temporada – em que, de fato, o dinamarquês aparentou estar verde. Bom para Alonso. Afinal, não haverá motivos para queixas sobre ter de trabalhar sozinho com o acerto do carro ou o desenvolvimento do carro nesse “segundo mandato”.
