Julianne Cerasoli

Em sintonia com Barcelona

São vários os motivos que levam a Fórmula 1 todo ano para o Circuito da Catalunha para os testes de pré-temporada. Um deles é o clima, ainda que neste ano ele não tenha ajudado tanto assim, mas o principal é o traçado. Afinal, o palco do GP da Espanha tem curvas longas de alta velocidade, que testam a aerodinâmica do carro, de médias e lentas no final da volta, em que a parte mecânica também é colocada à prova.

Uma vitória acachapante na Espanha como a da Mercedes neste domingo, portanto, só pode significar que os alemães agora têm o melhor carro do grid.

A não ser que isso também tenha acontecido durante os testes e não tenha se confirmado nas provas seguintes.

Até as condições climáticas em Barcelona eram parecidas com a segunda semana de testes, com temperaturas por volta de 15 graus, quando a maioria das simulações de corrida foram feitas, o que explica por que Bottas e Hamilton logo se apressaram em fazer a comparação. “Quando saímos daqui no inverno achávamos que tínhamos uma vantagem considerável e não foi o que aconteceu”, disse o inglês.

Mas há também outra linha de pensamento. Mesmo antes da corrida, a Ferrari deixou claro seu descontentamento com a mudança que a Pirelli fez nos pneus para algumas etapas, começando na Espanha. Os italianos fortaleceram a “parede” do pneu para evitar a formação de bolhas em circuitos que colocam muita energia nos pneus. Até aí não há problema algum, a não ser que essas bolhas apareceram apenas nos carros de Mercedes e Red Bull durante os testes.

Nenhum desses fatores, contudo, tira os méritos de Hamilton, que foi se encontrando ao longo do final de semana para chegar a um estágio de sintonia com o carro que ele ainda não tinha tido neste ano. Na sexta-feira, ele estava atrás de Bottas, mas na hora da verdade acabou colocando 20 segundos no companheiro. O ritmo do finlandês foi comprometido inicialmente por Vettel, mas só aumentou depois que o alemão saiu de sua frente. Bottas e todo o grid sabem muito bem que, quando Hamilton está se sentindo bem com o carro, é quase impossível batê-lo.

Enquanto isso, Vettel perdeu mais pontos, agora não por culpa sua, mas pelo desgaste surpreendente dos pneus da Ferrari. Parar duas vezes e colocar os médios não foi uma estratégia mirabolante e, sim, uma necessidade. Seria algo relacionado ao composto especial da Pirelli para Barcelona ou à pista em si? Resta ao tetracampeão esperar que sim.

Verstappen, por sua vez, teve a corrida tranquila que precisava para começar a colocar as coisas novamente no lugar. Foi mais rápido que Ricciardo o tempo todo e lucrou com os problemas ferraristas.

É fato que houve um momento em que Ricciardo disse à Red Bull que estava mais rápido, tentando forçar uma inversão de posições. Ele estava 1s5 atrás, o que demonstra um ritmo efetivamente mais forte em Barcelona, mas Verstappen também estava na mesma distância de Raikkonen, apagado neste final de semana.

Mas como assim “ele estava 1s5 atrás, o que demonstra um ritmo efetivamente mais forte em Barcelona”? A explicação sobre as mudanças de regras de 2019 neste final de semana deu números para a dificuldade atual de se fazer ultrapassagens na F-1: quando o carro está a 3s de um rival, já perde pressão aerodinâmica de forma significativa em uma pista com curvas longas como o Circuito da Catalunha. E a ideia do novo regulamento é diminuir esse efeito para 1s.

Enquanto 2019 não vem, não vai ter jeito: por mais que o grid esteja muito competitivo (em duas partes, é verdade, com os três melhores carros a milhas de distância do restante), haverá pistas em que as corridas serão procissões.

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