Sem pneus explodindo do nada como no ano passado, mas com um desafio diferente pela frente. Que ninguém estranhe se um carro parecer mais lento em algumas voltas e retomar o ritmo com tudo durante o GP da Grã-Bretanha: se carregar as baterias de um Kers com a metade da potência atual já era complicado no passado em um circuito fluido e com poucas freadas fortes como Silverstone, imagine agora.
Recapitulando: os motores atuais são alimentados por meio de combustão e por duas baterias carregadas pela energia dissipada pelo calor do turbo (MGU-H) e pela energia cinética vinda das freadas (MGU-K). A última é responsável por 160hp.
Para se ter uma ideia da importância do bom funcionamento do Kers neste ano, foi ele que falhou nos carros da Mercedes durante o GP do Canadá e permitiu a única vitória de um rival na temporada até aqui. A diferença de velocidade de reta era tanta que até um Red Bull, equipado com o Renault, normalmente cerca de 15km/h mais lento em reta, conseguiu superar a Mercedes com facilidade.
Não é exatamente um cenário tão dramático que se espera em Silverstone. Porém, é muito provável que as equipes tenham dificuldades em carregar a bateria totalmente em todas as voltas, simplesmente porque não há freadas fortes suficientes para isso. Os pilotos passam apenas 9% da volta freando!
Lembremos que esse processo não é responsabilidade do piloto neste ano, pois o botão do Kers não existe mais, apenas o que eles chamam de “botão de ultrapassagem”, que melhora a configuração de uso da energia. São os engenheiros que programam como essa energia será utilizada e pedem que os pilotos alterem as regulagens em seu volante.
Os problemas da falta de locais para se carregar o Kers não param por aí. Enquanto o carro está recuperando energia das freadas – ou seja, enquanto a bateria não está carregada – o comportamento do carro é diferente. Isso ocorre mesmo com o freio eletrônico, adotado justamente para ajudar os pilotos a lidar com isso após o aumento da potência do Kers neste ano.
As curvas de alta também significam mais consumo de combustível, outra variável que engenheiros e pilotos terão de controlar durante a prova e que torna muito importante a boa administração dos outros tipos de energia.
Tudo isso nos faz lembrar como a Fórmula 1 é um trabalho de equipe. Há quem apareça mais (para o bem e para o mal), como pilotos, equipe de pit stop, estrategistas, projetistas. Mas atuar em alto nível na categoria depende de muitas outras variáveis.
