Julianne Cerasoli

Ensaio final

Motor Racing - Formula One Testing - Test Two - Day 4 -  Barcelona, Spain

Última oportunidade de testar updates no carro – e no motor – antes do início do campeonato, o teste final em Barcelona é aquele que costuma dar os sinais mais claros de como o ano vai se iniciar. Afinal, em algum momento, todos vão querer fazer pelo menos uma simulação de corrida e de classificação com tudo o que têm de melhor – das peças ao acerto, que começa a amadurecer nessa fase final de preparação.

É claro que, como estamos em um teste e nem todos vão à pista no mesmo momento e sob as mesmas condições – há times, por exemplo, que não fazem simulações completas de GP, deixando no ar a dúvida a respeito do combustível – as respostas definitivas ainda terão de esperar. Mas daqui a quatro dias já teremos um indicativo interessante para as perguntas que estão no ar no momento.

A primeira delas é: o quanto os rivais conseguiram tirar do domínio da Mercedes? Sim, porque a temporada passada terminou com quase 0s6 de vantagem em classificação e, em um ano de poucas mudanças de regras, não é algo que vai desaparecer num passe de mágica.

Depois de Nico Rosberg impressionar sendo o segundo mais rápido na semana passada mesmo usando pneus médios – 0s8 mais rápido que o segundo melhor com o composto, Kimi Raikkonen, com um tempo de três dias antes – a Mercedes promete vir com novidades aerodinâmicas. O time andou experimentando bastante com a asa traseira, portanto, um dos detalhes que veremos no Circuito da Catalunha será a sustentação da asa, com um ou dois pilares.

Já a Ferrari, depois de fazer testes com menos combustível em Jerez, deve focar mais em simulações de corrida. Isso porque o diretor técnico James Allison declarou que ainda não está contente com a confiabilidade e a consistência do carro.

A Red Bull, por sua vez, admite que a dirigibilidade do motor Renault ainda está longe de satisfazer, problema que já existia ano passado. Isso, combinado com a relativa falta de quilometragem, especialmente no primeiro teste, tem dificultado a avaliação da competitividade da equipe. Neste segundo teste de Barcelona, ficará mais claro se Ricciardo e Kvyat estão no bolo que parece juntar Ferrari e Williams, com Lotus mais atrás.

Isso, pensando no que o time de Grove fez no final do ano passado e na pré-temporada praticamente sem problemas que Massa e Bottas tiveram até aqui. A velocidade também esteve lá – o carro foi o mais rápido no speed trap em Barcelona. Porém, em termos de performance em si, ainda não ficou claro o que o FW37 pode fazer.

Seguindo com os brasileiros, Felipe Nasr parece ter na Sauber um carro com boa velocidade de reta e aerodinâmica ainda pouco desenvolvida. Isso explicaria o fato do carro ser o mais veloz entre os que usam o motor Ferrari e, ao mesmo tempo, pecar na consistência nas simulações de GP, com o próprio Nasr admitiu. De qualquer forma, com McLaren e Force India andando pouco nos testes, fica a expectativa real dos suíços voltarem à zona de pontuação depois de mais de um ano.

Mesmo sendo importante para todos, o teste desta semana tomou ares dramáticos para McLaren e Force India. A primeira completou 927km até o momento, enquanto a Mercedes ultrapassou os 4300km. E a Force India só vai tentar sair do zero com o carro de 2015 na sexta-feira. Nem precisa dizer o quanto ambos estão crus em termos de conhecimento das reações do carro, acertos, rumos para o desenvolvimento. Assim como acontece na ponta com a Mercedes, não é uma diferença que se tira da noite para o dia.

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