
Um Safety Car no meio de um stint em um circuito no qual o pit stop representa uma das maiores perdas no campeonato, entre 28 e 30s. O GP de Cingapura teve dois elementos daqueles que fazem ou destroem a fama de qualquer estrategista. No final das contas, a maioria apostou – e apenas dois pilotos ganharam.
Em especial McLaren e Ferrari, que por algum motivo não conseguiam fazer o pneu médio funcionar – foram para a corrida com a ideia de fazer 3 paradas e usar os supermacios o maior tempo possível. Mas isso era flexível, pois não se sabia o quanto o composto mais rápido duraria, e também dependia de quando o Safety Car aparecesse. Pela estratégia de Vettel de arriscar a pole para guardar um jogo de supermacios novos, parece que a Red Bull também acreditava que os pneus de marca vermelha seriam os melhores para o domingo.
Mas vamos esquecer o alemão, que pôde adotar a estratégia mais lenta e ainda terminar com uma troca de pneus de vantagem para os demais. Houve três tipos de personagens durante a prova: Alonso e Raikkonen, cuja aposta deu certo; McLarens e Saubers, que fizeram a mesma aposta, mas saíram perdendo; e as Mercedes, que tiveram um resultado aquém do que seu ritmo permitia por serem conservadores na estratégia.
O momento decisivo foi a volta 25, quando o Safety Car entrou na pista. Faltavam 36 voltas para o final e as equipes tinham uma série de informações: na sexta-feira, ninguém passou de 26 voltas no pneu médio. Porém, Cingapura é uma pista que tende a evoluir muito, tende a ter SC demorados e, naquele momento (antes de Vettel mostrar seu real ritmo), a matemática apontava que a prova terminaria por tempo, e não nas 61 voltas programadas. Além disso, quem parasse com o SC teria algo crucial em provas de rua: track position, ou seja, só perderiam a posição para quem não resolvesse parar naquele momento caso fossem ultrapassados na pista. Todos, menos Mercedes e Red Bull, assumiram o risco.
A Mercedes errou?
O W04 foi o segundo carro mais rápido do final de semana e tinha a segunda e sexta posições quando o SC foi à pista. Terminaram em quarto e quinto, ajudados pelos abandonos de Webber e Grosjean. Segundo a equipe, eles não acreditavam que seu carro aguentaria permanecer tanto tempo com os pneus médios quanto a Ferrari de Alonso ou a Lotus de Raikkonen, algo que faz sentido levando em consideração seu histórico.
Mas talvez eles pudessem, ao menos, variar as estratégias. Como Hamilton estava atrás de Alonso, primeiro que aproveitou o SC para parar, podiam usar o inglês para marcar a estratégia do espanhol, atirando em todas as frentes.
Colocando Rosberg e Hamilton na mesma estratégia, eles não apenas jogaram sua dupla no tráfego, como os colocaram juntos na pista, numa briga interna que agradou os fãs, mas não foi produtiva para o time.
E Massa?
A Ferrari, sim, jogou em duas frentes, mas é de se questionar por que a opção de Massa foi pelos supermacios quando o brasileiro parou durante o SC. Antes da prova, havia a expectativa de que o rendimento de ambos os compostos fosse muito distinto, mas isso não se confirmou e àquela altura, a equipe já sabia disso, pois, poucas voltas antes, Grosjean havia feito a mesma opção e não conseguira ganhar terreno sobre quem andava de médios. Após a corrida, Massa argumentou que apenas Alonso e Raikkonen conseguiram fazer a tática de colocar médios e ir até o final funcionar, mas o problema de sua escolha é que ficou no meio do caminho entre usar a estratégia “normal” de Mercedes e Red Bull e o risco que a maioria assumiu.
Dois acertos da Lotus