Julianne Cerasoli

Escolhendo um piloto em dezembro

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Nesta segunda-feira, Toto Wolff, Niki Lauda e os principais engenheiros da Mercedes se encontram para tentar decidir pelo menos qual o perfil de piloto que querem para substituir Nico Rosberg na próxima temporada. Mais do que isso, determinam as linhas gerais de que tipo de equipe a Mercedes será a partir de agora.

O objetivo de qualquer time é vencer o mundial de construtores e, em primeira análise, com o carro que tem, a Mercedes não deveria ter muita dificuldade em encontrar um piloto que possa, junto de Lewis Hamilton, atingir esse objetivo. Mas em 2017 a F-1 passará por uma extensa mudança de regulamento e nada impede que o domínio dos atuais tricampeões termine. Neste caso, um piloto tapa-buraco poderia se tornar uma decisão cheia de soberba – e custar caro – daqui a 12 meses. Ao mesmo tempo, ter um claro segundo piloto poderia ser útil caso a Mercedes siga na frente, mas veja os rivais se aproximarem, pois evitaria que ambos entrassem em rota de colisão, como aconteceu algumas vezes entre Hamilton e Rosberg.

E este fator parece pesar no momento. É possível ler nas entrelinhas das declarações dos chefões da Mercedes certo esgotamento após três anos lidando com dois pilotos se dividindo nas vitórias e lutando diretamente pelo título. Apesar disso ter sido bom para a imagem da companhia, uma vez que, devido à extensa vantagem, seria bem impopular ter um claro primeiro piloto, a tensão constante deixou suas marcas em quem teve de gerenciar uma série de pequenas crises, especialmente em 2014 e neste ano.

Isso, com um piloto de personalidade mais diplomática, como Rosberg, ao lado de Hamilton.

Por isso, para começar a decidir qual piloto vai querer, primeiro a Mercedes tem de entender qual a diretriz seguir. E não há um caminho claramente mais vantajoso no momento.

Não menos importante, é preciso entender que tipo de piloto os engenheiros querem. Afinal, eles já conseguem prever com bastante precisão como será o novo carro e, especialmente em equipes grandes, a definição dos pilotos passa em grande medida por suas características técnicas.

Por fim, especialmente no caso de Wolff, que entende a necessidade de trabalhar politicamente com os rivais, cabe julgar o quanto vale a pena deixar outra equipe em uma situação complicada em pleno dezembro. Afinal, até que ponto é bom tirar Alonso de uma McLaren que já tem um estreante no outro cockpit? Ou mexer com a Ferrari e tirar sua estrela?

Curiosamente, o próprio Wolff inclui a Williams nesta lista de equipes nas quais não quer interferir, mesmo quando Valtteri Bottas despontava como o candidato ideal. O finlandês, trazido pelo austríaco à F-1, tem quatro temporadas de experiência, já demonstrou ter qualidade, é tranquilo e tentaria bater Hamilton na pista e poderia até representar um bom futuro para a Mercedes caso Lewis não estenda seu contrato. Mas é claro que tirá-lo do time inglês hoje abriria um vazio difícil de preencher. Afinal, como no caso da McLaren, a Williams tem um estreante para amadurecer.

Outro caminho seria ir atrás de Sainz, que não conta com a simpatia de Marko e, por saber que dificilmente vai subir para o time principal, está louco para sair. É lógico que a Toro Rosso não gostaria de perder seu melhor piloto, mas para o sistema da Red Bull seria bom encontrar um lugar para o campeão da GP2 Pierre Gasly.

Estas questões mais do lado político fortalecem as candidaturas dos jovens pilotos da Mercedes, Ocon e Wehrlein. O alemão foi preterido na Force India por motivos até escusos, ao ter se negado a passar informações durante um teste pelo time, mas no duelo direto com o francês na Manor ganhou mais do que perdeu. E, ao perder a disputa pela vaga em um time de meio de pelotão, pode ter tirado a sorte grande.

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