Julianne Cerasoli

Esqueçam a pouca idade de Verstappen

Crédito: James Moy
Crédito: James Moy

A dupla formada por Max Verstappen e Carlos Sainz Jr na Toro Rosso pode impressionar pela pouca idade, mas os dois dão um banho nos pilotos com os quais a Manor-Marussia vai começar a temporada. E isso preocupa.

A própria situação da equipe está longe do ideal. Chegam a Melbourne com estrutura reduzida, carro ‘remendado’ de 2014 e sem nenhum teste. Fiquei intrigada quando li matérias colocando de maneira positiva o fato do investidor Stephen Fitzpatrick ter “40 milhões de libras para gastar”. Não seria esse o mesmo valor que, há seis anos, Max Mosley tentou emplacar como o teto orçamentário, ideia que foi ridicularizada na época? Não foi esse valor que atraiu justamente a Manor, junto de Caterham e HRT em 2010, e provou ser irreal de lá para cá haja vista que só uma delas sobrevive?

Pois bem. A equipe chega aos trancos e barrancos para a primeira prova porque o pagamento de seu prêmio pela nona colocação no mundial – conquistada por Jules Bianchi com aquela heroica corrida em Mônaco – depende disso. E o mundo da F1, ou pelo menos a parte interessada, aplaude porque precisa de carros no grid de qualquer jeito.

Então domingo largarão, muito provavelmente na última fila e com a grande preocupação de se segurar na pista sem atrapalhar ninguém, Will Stevens e Roberto Merhi. Sim, no lugar deles eu também aceitaria ter a chance da vida. Quem não? A questão não é essa.

Verstappen pode chamar a atenção pela idade, mas fez intensa preparação desde setembro do ano passado e foi o terceiro que mais andou na pré-temporada, com 2834km. Isso sem contar que a Red Bull possui um simulador, algo de que os pilotos da Manor nem passam perto.

Carlos Sainz também andou bastante, 2700km, foi o sexto da lista, e tem uma experiência bem maior que Verstappen na F-1, tendo começado a testar em 2013 e chegando a andar por Toro Rosso e Red Bull em uma mesma bateria destinada a jovens pilotos.

Tudo isso, claro, é permitido pela estrutura do programa de desenvolvimento de pilotos da Red Bull. Quem não tem acesso a isso e nem tem um planejamento tão cuidadoso como Felipe Nasr, que talvez pudesse ter apressado sua chegada à F-1, mas escolheu o caminho de se tornar piloto efetivo de testes antes disso, fica à mercê das oportunidades.

As consequências de todo o cenário levam Stevens a começar essa temporada com um teste e uma prova pela Caterham na bagagem. Já Marhi tem três sessões de treinos livres de experiência.

Resta torcer para que Stevens e Merhi deem conta do recado. Ambos vêm da World Series. O primeiro tem apenas 5 vitórias em sete anos nos monopostos, já o segundo dificultou a vida do próprio Sainz na luta pelo título do ano passado. E quem não se lembra da bronca de Fernando Alonso quando encontrou o inglês pelo caminho no GP de Abu Dhabi? “Quem é esse?”, perguntou o espanhol. “O cara novo”, respondeu seu engenheiro Andrea Stella. “Ele tem muito a aprender, muito”, suspirou o piloto. E a Caterham do ano passado, carro pilotado por Stevens na ocasião, deve ser mais competitiva do que a encrenca que eles vão ter pela frente.

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