Julianne Cerasoli

Estratégia do GP da Espanha: a defesa da Ferrari, o duelo interno na Mercedes e os brasileiros

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Uma leitura correta da estratégia muitas vezes é a diferença entre a vitória e a derrota na Fórmula 1. Mas ela não faz milagre. Quando se tem uma desvantagem de pelo menos 0s8 como a Ferrari em relação à Mercedes na Espanha, apenas o erro do adversário vai evitar a derrota.

E foram dois erros que fizeram com que demorasse 32 voltas para Hamilton superar Vettel na luta pelo segundo lugar. O primeiro, na largada. O segundo, no pit stop da volta 13. Naquele momento, a Mercedes parara bastante cedo, mas não cedo o bastante para que a Ferrari tivesse a certeza de que os rivais fariam três paradas. A decisão óbvia para o time de Maranello foi chamar Vettel aos boxes na volta seguinte, ainda mais aproveitando a parada ruim da Mercedes, mas o recado já estava dado: sem os cerca de 2s5 que Hamilton perdeu no pit stop, ele já teria conseguido usar o ritmo mais forte e passado o alemão.

Isso, mesmo com pneus médios. Com duros – que evidenciam o melhor equilíbrio dos carros alemães – a diferença seria maior.

Se a Scuderia se safou pelo erro do adversário na primeira parada, a Mercedes usou sua vantagem para garantir que o mesmo não aconteceria na segunda. O ritmo alucinante que Hamilton na primeira volta após a primeira parada, já sabendo que faria três paradas – decisão importante tomada pela equipe, uma vez que esses pneus são sensíveis ao exagero no ritmo nas primeiras voltas e já saber que mudaria para o plano B incentivou Hamilton a acelerar logo de cara – foi suficiente para lhe dar a vantagem, mesmo que Vettel tivesse respondido. O inglês, com pneus novos, foi 3s mais rápido que o alemão – e a vantagem da Ferrari era de 1s8 antes do pit stop.

A Ferrari até tentou evitar esse cenário, com Vettel adotando um ritmo bastante lento no segundo stint de forma a colocar Kimi na jogada: com os companheiros divididos por cerca de 20s e Vettel usando a dificuldade de ultrapassagem de Barcelona para manter Hamilton atrás, a Mercedes teve de pensar duas vezes antes de parar seu piloto e correr o risco de vê-lo preso por Raikkonen. Mas, no final das contas, a diferença de ritmo era tão grande (até porque Kimi estava com os pneus duros e já mais usados) que a tática não funcionou.

A Williams, por sua vez, usou algo semelhante. E com mais eficácia. A equipe novamente foi excessivamente cautelosa na classificação, chamando Massa novamente à pista quando o brasileiro tinha um tempo que lhe garantiria no Q3 com folga e Felipe só teve um jogo de pneus na parte final da classificação. Errou a volta e largou em nono.

Com o outro carro, Bottas teria de segurar o ataque de Raikkonen, com pneus médios, nas voltas finais, como fizera com Vettel três semanas antes. O que a Williams conseguiu ao dividir as estratégia, chamando Massa para três paradas, foi colocar o brasileiro no caminho de Kimi. As quatro voltas em que Massa segurou Raikkonen, antes de sua terceira parada, fizeram o ferrarista perder pelo menos 3s e acabaram ajudando Bottas.

Falando em falta de ritmo, a Sauber viu sua dura realidade na Espanha. Com poucas novidades no carro, perdeu terreno para Red Bull, Toro Rosso e Lotus e agora está no bolo com McLaren e Force India. Ou seja, fora dos pontos. Em Barcelona, pelo menos Nasr ‘venceu’ essa corrida particular, muito em função do ótimo segundo stint com pneus médios, que permitiu reverter a estratégia inicial, de três paradas, em duas. No meio do pelotão e com toda a dificuldade vista em ultrapassar, essa acabou comprovando ser uma boa decisão por parte da equipe.

Por fim, vi que muita gente acreditou que Hamilton tinha ritmo para chegar em Rosberg se a Mercedes tivesse copiado as estratégias. Essa talvez seja uma impressão dada pelo ritmo que o inglês demonstrou, mas a verdade é que o alemão em momento algum demonstrou do que era capaz. Vale lembrar que a desvantagem logo antes da primeira parada era mais de 8s. Tirar isso, com o mesmo carro, seria bastante improvável.

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