Além do bom ritmo – discutiremos os motivos disso em um post nas próximas semanas – e da forma decisiva com que atacou o tráfego, Lewis Hamilton contou com fatores externos para vencer o GP da Hungria. Sebastian Vettel ficou preso por Jenson Button, Romain Grosjean se atrapalhou no meio do pelotão e Kimi Raikkonen foi seguro por Felipe Massa, criando uma situação perfeita para o inglês, em atuação irretocável desde a classificação, aproveitar.
Falando no sábado, foi quando a situação do líder do mundial começou a se complicar. É sabido que a Red Bull é acertada para andar rápido fora do tráfego, priorizando a pressão aerodinâmica. Assim, a velocidade máxima é baixa e as entradas de refrigeração, minimizadas. É fácil entender, portanto, por que Vettel se defendeu com tanto afinco dos ataques de Grosjean na largada: no meio do pelotão, teria dificuldades para abrir caminho e manter freios, Kers e motor funcionando em níveis ótimos.
Hamilton não escapou por mais de 2s à frente no primeiro stint e Vettel conseguiu ficar por mais tempo na pista, indicando que teria mais vida nos pneus no final de cada um dos outros três stints e teria chances de vitória. Porém, ao ficar preso atrás de Button por 13 voltas, o alemão perdeu os 13s que se manteriam mais ou menos até o final da prova.
Mérito de Hamilton, que se livrou em uma volta do ex-companheiro, mas vale lembrar que o inglês era 5-6km/h mais rápido em reta que Vettel.
Para ilustrar a dificuldade de ultrapassagem para quem optou por menos velocidade de reta, as Lotus também ficaram presas, ainda que estivessem na “turma do meio” na lista do speed trap. Grosjean acabou se atrapalhando com Button e depois com Massa e ficou 21 voltas a menos de 2s de Alonso no final, sem conseguir sequer colocar de lado. Já Raikkonen teve a corrida destruída por Massa: nas 20 voltas que demorou para passar o brasileiro, perdeu 26s com o líder. Como cruzou a 10s da vitória, a matemática é simples.
Mas há considerações a serem feitas sobre a dupla da Lotus. Na tentativa de fazer duas paradas – plano abortado por Grosjean após o toque com Button e executado por Raikkonen – a equipe acabou jogando os dois pilotos no tráfego. Caso tivessem antecipado a primeira parada, seria possível o undercut do francês em Vettel e do finlandês em Massa, liberando-os. Não é a primeira estratégia questionável da Lotus no ano e aproveitarei a pausa de agosto também para discutir isso.
No mais, o fato de Alonso só ter se aproximado de Vettel e Grosjean quando ambos estavam perdendo 1s/volta em relação a Hamilton mostra o tamanho do prejuízo da Ferrari em termos de ritmo, o que foi surpreendente visto que o carro costuma ser melhor em situação de corrida. Por outro lado, não foi muito diferente há um ano em Budapeste. Já Webber se utilizou da estratégia para chegar provavelmente na mesma posição que conseguiria com uma classificação limpa.
Massa também foi lento e acabou superado até por Button. Sobre o dano na asa dianteira, isso certamente desequilibrou o carro e dificultou a missão de economizar pneus, mas as equipes têm informações suficientes de telemetria para estabelecer que a perda em continuar na pista era menor ao longo da prova do que os cerca de 6s + volta no fundo do pelotão que a troca traria. É de se pensar que, talvez em uma pista em que a ultrapassagem é mais fácil, a opção seria diferente.
