Julianne Cerasoli

Estratégia do GP da Rússia: fora da caixinha

Em 2014, Nico Rosberg errou completamente a freada da curva 2 na primeira volta, acabou com seus pneus, trocou para um composto mais duro e foi até o final sem grandes problemas de degradação. Há outros fatores envolvidos nesta equação, mas não é tão difícil entender, portanto, como a F-1 assistiu a sua quarta prova na história sem uma ultrapassagem sequer em Sochi no último final de semana.

Mais do que isso, a prova acabou sem grandes chances também para os estrategistas. O pneu macio era duro demais para Sochi mesmo com o inesperado calor do domingo, e todos os carros conseguiriam fazer uma parada tranquilamente. Além disso, o fato da grande maioria largar com os ultramacios diminuía em muito a chance de undercuts, devido à dificuldade de aquecimento do pneu supermacio somada à  falta de degradação, conjunto que tirava a vantagem de quem antecipava a troca.

Mas não foi só pelos pneus que faltou emoção à corrida de Sochi: trata-se de um circuito em que é preciso economizar mais combustível – ainda mais neste ano, em que os pilotos ficam por mais tempo com o pé embaixo – e, dependendo do carro, há chance de superaquecimento quando se anda muito próximo de um rival, muito em função dos muros próximos e freadas fortes, como Lewis Hamilton descobriu logo de cara.

Ou seja, era todo um cenário para que a largada fosse fundamental, e Valtteri Bottas aproveitou isso com maestria. Aliás, o finlandês tem feito boas largadas em um ano no qual os próprios pilotos dizem que é preciso muito mais sensibilidade na embreagem e esse certamente será um fator importante na temporada, especialmente pois vimos novamente que a disputa entre Ferrari e Mercedes foi decidida nos detalhes.

Mas os detalhes desta vez foram em relação ao acerto e à consequente interação com os compostos – é interessante como a Ferrari conseguiu explorar melhor o ultramacio – fazendo apenas uma volta de aquecimento e ainda assim sendo mais rápida que a Mercedes na classificação – como tendo um ritmo superior com o supermacio na prova, permitindo que Vettel tentasse pressionar Bottas no final.

Porém, em termos estratégicos, não havia muito o que a Ferrari poderia ter feito. Primeiro porque o stint inicial de Bottas foi excelente, não permitindo que Vettel se aproximasse de maneira perigosa – e, nesse caso, o único perigo seria aproveitar-se de algum momento em que o finlandês encontrasse tráfego para tentar antecipar a parada. No final das contas, tentar ficar mais tempo na pista era a única saída, mas ainda assim a chance de ser suficiente para o alemão recuperar a posição era mínima.

Enquanto os líderes fizeram marcação homem a homem em Sochi, mais uma vez, a estrategista da Sauber Ruth Buscombe, que já brilhou na Haas ano passado, pensou fora da caixinha e colocou ambos os carros para começar com os supermacios, aproveitando tanto o ritmo com o ultramacio nas voltas finais, em que os carros ficam mais espalhados, mas principalmente esperando um Safety Car no começo, o que já virou tradição em Sochi devido à complicada segunda curva. Não deu outra e os pilotos ganharam um pit stop de graça. As estratégias da Sauber, aliás, têm estado entre as melhores desde o início do ano. Porém, sem ritmo, não há milagre que ninguém do pitwall – ou atrás do volante – possa fazer.

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