
Nem um voltinha sequer com pneus slick e uma chance permanente de chuva. O GP do Brasil deve ter sido dos mais tensos para os estrategistas. As simulações davam conta de que a tática de duas paradas era cinco segundos mais rápida que a de três, mas a durabilidade dos pneus em uma pista lavada por dois dias de chuva contínua era uma incógnita e certamente geraria graining. Outros problemas eram decidir entre os compostos duro ou médio na primeira parada e quais as pressões que deveriam ser utilizadas, uma vez que elas interferem no aquecimento dos pneus.
As respostas foram obtidas ao longo da prova. Jenson Button abriu caminho no pelotão largando com o pneu duro, que apresentou rendimento melhor do que o esperado, mostrando que a diferença de rendimento entre os compostos era menor do que se esperava.
Ao mesmo tempo em que o inglês subia, Nico Rosberg ia ladeira abaixo com sua Mercedes, que adotara uma configuração com mais downforce esperando chuva. Provavelmente, outro problema para o alemão foi nas pressões dos pneus no primeiro stint, em que caiu de 1º a 6º, posição em que terminou a prova.
O desempenho de Button talvez tenha levado a Ferrari a arriscar e colocar Alonso com pneu duro no segundo stint e dar a ele a possibilidade de atacar Webber no final, quando estaria com o composto teoricamente mais rápido. Foi uma boa tentativa, porém, mesmo tendo saído do segundo pit próximo da Red Bull, a Ferrari não tinha ritmo para pressionar.
Mas o espanhol só teve qualquer chance de melhorar seu terceiro lugar por um erro incomum da Red Bull, que não tinha todos os pneus de Vettel prontos quando o alemão chegou para seu segundo pit stop. Com o acidente entre Bottas e Hamilton – cuja punição foi mais uma decisão confusa dos comissários, uma vez que o inglês deixou mais de um carro de distância entre sua Mercedes e a linha branca, como manda a regra – Red Bull e Ferrari temeram um Safety Car e correram para chamar seus pilotos. Webber já entraria de qualquer jeito, como explicou após a prova, mas Vettel só foi avisado de que pararia, em suas palavras, “na saída da 12”, ou seja, na Junção, a poucos menos da entrada dos boxes. Quando chegou, seu pneu dianteiro direito não estava lá, cópia do que aconteceu em 2012.
Assim como naquele ano, em que venceu o campeonato mesmo com a falha, o alemão deu sorte de ter seu companheiro em segundo na pista – e também tendo de parar. Como Webber teve de esperar atrás da outra Red Bull, Vettel não perdeu a primeira posição e ainda saiu com uma vantagem de certa forma confortável para lidar com os pingos das últimas voltas.
Uma corrida digna para uma temporada que começou com provas agitadas até demais, chegando às quatro paradas na Espanha e vinha com algumas corridas previsíveis estrategicamente.
Aliás, aproveito o post para perguntar a vocês: o que deve ser feito para resolver a questão dos pneus, que ora geram incógnitas nas corrias mas são frágeis demais a ponto de serem perigosos, ora têm pouco efeito nas corridas, que se tornam mais engessadas?