
Não foram poucas as vezes que falei em um campeonato decidido em detalhes em 2017. E no GP dos Estados Unidos não foi diferente. Com uma melhor leitura da evolução da pista da sexta-feira para o domingo, juntamente com o tempo precioso perdido por Sebastian Vettel na última meia hora do segundo treino livre por mais uma suspeita de quebra da Ferrari, Lewis Hamilton venceu em Austin e está muito perto do título.
O acerto do carro era fundamental para os pilotos conseguirem fazer apenas uma parada na corrida, uma vez que, após as simulações da sexta-feira, ficou claro que os pneus traseiros estavam se superaquecendo e saindo da janela de temperatura de funcionamento.
Isso seria obtido por quem conseguisse minimizar as saídas de frente, especialmente na primeira sequência de esses. Mas Vettel acabou tendo menos elementos para entener como fazer isso na Ferrari, uma vez que não completou sua simulação de corrida com a suspeita de uma rachadura no chassi. A equipe, então, trocou o chassi para o sábado e o alemão teve de passar o dia refazendo o acerto.
Essa falta de refinamento no setup ficou clara nas poucas voltas em que ficou na frente de Hamilton na corrida, tendo de forçar o ritmo e por várias vezes perdendo a traseira do carro. E desgastando seus pneus.
Com a corrida já comprometida, a Ferrari arriscou por duas vezes na estratégia para tentar complicar a vida de Hamilton, mas não foi suficiente: primeiro, antecipou a parada de Vettel para obrigar o rival a também parar cedo e, no final da prova, fez uma segunda parada que imediatamente fez o líder ter de se comprometer a ficar na pista com pneus gastos, uma vez que o undercut estava garantido se a Mercedes decidisse também fazer uma segunda parada.
Mas Hamilton tinha se prevenido, fez uma alteração na asa dianteira, já no grid, que melhorou a adaptação do carro à pista lavada pela chuva e mais fria em relação aos treinos livres, e não teve maiores problemas para se segurar com os macios usados e receber a bandeira em primeiro.
Mas o GP dos Estados Unidos teve ainda vários ingredientes além da luta pela vitória. Destaque para a estreia perfeita de Carlos Sainz com a Renault, sem erros por todo o final de semana mesmo tendo de se acostumar com um carro e uma equipe totalmente novos para ele. O embate direto com Hulkenberg, contudo, não aconteceu: o alemão recebeu o novo motor Renault, ao contrário do companheiro – assim como aconteceu na Red Bull com Max Verstappen e na Toro Rosso com Brendon Hartley – e isso significou uma punição para Hulk na classificação, fazendo com que o alemão sequer marcasse tempo no Q2. E, na corrida, uma perda de pressão de óleo adiou mais uma vez o embate.