
Se a temporada será uma lavada ainda maior para a Mercedes, ainda é cedo para prever, especialmente com o desenvolvimento das unidades de potência ao longo da temporada. Mas a evolução demonstrada pelos carros desta pré-temporada é impressionante. Enquanto a pole position do GP da Espanha de 2014 foi 1m25.232s, Nico Rosberg fechou os testes com o melhor tempo em 1m22.792s.
Essa melhora – que vem, prioritariamente, da unidade de potência em si e de sua interação com o carro – ajuda a explicar o tamanho do desafio da Honda. Por mais que tenha se aproveitado das informações dos rivais, nada substitui a experiência de pista. Não por acaso, vimos os japoneses enfrentando uma série de dificuldades e rodando lentos, indicando que ainda não se sentem confortáveis para andar com seu motor na potência máxima.
Isso deve ser um problema sério para a McLaren, uma vez que a limitação de quatro motores por temporada prioriza uma abordagem mais conservadora de quem não está confiante em relação à confiabilidade.
Não é o caso da Mercedes, que revelou ter usado apenas um motor durante toda a pré-temporada. E olha que eles rodaram mais de 6.000km, o que significa que estão mais do que preparados para enfrentar a nova regra: os motores terão de durar entre 3.400 e 3.500km em 2015, dependendo da realização ou não do GP da Alemanha. Ano passado, a quilometragem era de cerca de 2.700.
Falando em unidades de potência, a evolução da Ferrari parece ter colaborado para a Red Bull, que segue com problemas de dirigibilidade com a Renault, cair. Pelos tempos do último teste, o time parece mais inclinado a brigar com sua ‘equipe B’, a Toro Rosso, do que com Williams e Ferrari pelo título de segunda força.
Em uma comparação publicada pelo blogueiro James Allen baseada nas simulações de corrida feitas no último teste, a Williams aparece ganhando essa briga, com Felipe Massa “recebendo a bandeirada” 16s à frente de Raikkonen na Ferrari. Mais 16s e chegaria a Red Bull, seguida pela Toro Rosso, Lotus, Force India e Sauber, cujo objetivo será lutar para voltar aos pontos após viver sua pior temporada da história. A McLaren não chegou a fazer simulações.
E a diferença da Williams para a Mercedes, que estava na casa do meio segundo no final do ano passado, parece ter aumentado, estando entre 0s8 e 1s/volta. Isso significa que, até mais do que nas provas finais de 2014, Massa e Bottas – assim como toda a concorrência – só podem almejar mais do que um terceiro lugar caso Hamilton e Rosberg sofram algum problema de percurso.
Porém, com a confiabilidade melhorada em relação a 2014 demonstrada nos testes, parece que a grande questão durante o ano será quais os coelhos que Nico vai tirar da cartola para evitar o tri de Lewis.