Julianne Cerasoli

Férias tranquilas

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Quando Nico Rosberg abriu 43 pontos nas quatro primeiras etapas do ano, sua tarefa parecia bem mais simples do que antes do início da temporada: como a Mercedes seguia disparada como melhor carro, seu trabalho seria só marcar Lewis Hamilton de perto e aproveitar as oportunidades de bater o inglês, que estaria constantemente sob pressão.

Mas as quatro vitórias de julho e, mais do que isso, a falta de segundos lugares de Rosberg, fizeram com que a vantagem confortável se tornassem incômodos 19 pontos. Ainda mais quando vários exemplos nos últimos três anos e meio, mas especialmente em 2016, mostram que as vitórias de Nico vêm em dias nos quais Hamilton falha, obrigando o alemão a ser perfeito e ainda esperar que algo não funcione do outro lado. Talvez tenha sido isso que mudou a pressão de lado.

Chega a ser impressionante que Rosberg só tenha conquistado um segundo posto nas quatro provas de julho, especialmente se observarmos a vantagem gigante que a Mercedes tem no momento. E isso faz com que o que poderia vir a ser seu grande trunfo, a maior tranquilidade no uso da cota de unidades de potência, perca força. Afinal, em corridas como a da Alemanha, com o rival perdendo para si mesmo, Hamilton pode usar um modo mais conservador de motor e se dar ao luxo de chegar ‘apenas’ 7s na frente das Red Bull. Se continuar assim, começa a se tornar plausível que Hamilton só largue do fundo do pelotão uma vez – provavelmente em Spa – o que parecia impossível há algumas etapas.

Se Rosberg não tem feito o bastante para colocar Hamilton sob pressão, a grande briga do momento é dentro da Red Bull. Depois de Verstappen ter demonstrado um melhor gerenciamento de pneus nas últimas provas, desta vez foi Ricciardo quem teve a vantagem. A diferença entre os dois, contudo, tem sido pequena até em classificações, ainda que o holandês ainda não consiga tirar tudo do carro em uma volta rápida. Mas Daniel sabe que isso é só uma questão de tempo.

A qualidade da dupla de pilotos e especialmente do carro da Red Bull serve ainda para expor as mazelas da Ferrari, que se mostra tão perdida quanto a Williams no desenvolvimento de seu carro e, especialmente, na compreensão dos pneus. Como a borracha tem uma janela de funcionamento muito sensível, capaz de transformar o rendimento de qualquer carro, nada impede que a Scuderia dê a volta por cima no segundo semestre. Mas a velha realidade de tensão e falta de confiança dos homens de cima certamente não joga a favor.

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