
A primeira dobradinha da Ferrari desde 2010, que também é a primeira vitória em Mônaco desde 2001, veio carregada de significados. Ao dar a Sebastian Vettel a oportunidade de superar Kimi Raikkonen mesmo com o finlandês tendo largado na pole position e tendo liderado a primeira parte da prova, o time italiano deixa claro que vai trabalhar para que seu primeiro piloto tenha chances de maximizar seus resultados e ficar em uma posição privilegiada na briga direta com Lewis Hamilton, da Mercedes.
Não que Vettel não tenha feito por merecer a vitória no Principado: o alemão teve um ritmo muito forte, com pneus usados, nas voltas entre a parada de Raikkonen e a sua, a exemplo do que Daniel Ricciardo fez em relação a Valtteri Bottas e Max Verstappen. Mas não é a primeira vez que retardar a parada é a melhor estratégia, e é difícil imaginar que a Ferrari não sabia disso quando decidiu adotar essa tática com o tetracampeão. Tanto, que Kimi Raikkonen não escondeu sua frustração mesmo após ter conquistado, com o segundo lugar, seu melhor resultado na temporada.
A conduta é, também, um recado à Mercedes, que tem sido mais resistente a colocar Valtteri Bottas em um papel de segundo piloto. Em Mônaco, Hamilton dispensou a ajuda do finlandês e disse ser possível que, ao longo da temporada, ele próprio possa trabalhar em função de Bottas para maximizar as chances da equipe levar o título de construtores.
No Principado, o inglês esteve longe de se colocar em posição de receber qualquer tipo de ajuda, perdido com o rendimento dos pneus na classificação. Mas com a Ferrari deixando claro como vai jogar o jogo, pode ser a hora de rever esses conceitos.
Mas o time alemão tem ainda outros desafios pela frente. Mesmo depois das mudanças que fizeram no carro na Espanha e da maior compreensão em relação aos pneus no teste do Bahrein, os altos e baixos no rendimento dos dois pilotos continuam – e parecem sem explicação. Na classificação em Mônaco, por exemplo, os chefes garantiram que os acertos dos dois carros estavam iguais. E os resultados foram muito diferentes. E é justamente pelas corridas em que se perdeu com os pneus, na Rússia e no Principado (dois circuitos bastante diferentes, mas com asfaltos mais lisos) que Hamilton se vê com uma desvantagem importante no campeonato.
O inglês já admitiu após a corrida de Mônaco que lhe resta torcer para que os problemas com o turbo da Ferrari atrapalhem os italianos daqui em diante. Atitude de quem sabe que as coisas já não estão tão sob seu controle como nos últimos anos.