Uma hora a Ferrari e Sebastian Vettel deixariam os erros para trás e mostrariam toda a força de seu conjunto. E não haveria nada que Lewis Hamilton e a Mercedes poderiam fazer para pará-los. Essa foi a história do GP da Bélgica, e muito provavelmente também será em Monza. O time vermelho só precisa fazer a lição de casa.
Lição que quase escapou no sábado. O time decidiu dividir as estratégias quando começou a chover: os pneus de Raikkonen seriam trocados o mais rápido possível, na aposta de que a chuva pioraria. E Vettel teria o carro reabastecido para estar na pista nos momentos finais, apostando que pararia de chover. Essa operação não foi perfeita, pois o carro de Vettel foi arrastado pelos mecânicos, o que irritou o alemão, mas acabou não gerando nenhuma consequência. Pelo menos no carro: Vettel acabou se atrapalhando e não carregou direito as baterias antes da volta crucial. E foi batido por Hamilton. Já Raikkonen ficou bem irritado com a equipe por ter ficado com a estratégia pior.
Para o finlandês, foi algo definitivo: largando mais no meio do pelotão, ele sempre estaria mais exposto e acabou sendo envolvido no strike de Hulkenberg – quando Alonso atingiu a asa traseira de Ricciardo e ele acabou tocando Kimi.
No caso de Vettel, ele tinha uma chance de reparar o erro: passar Hamilton na primeira volta. O alemão ainda chegou a temer que a vitória estaria perdida novamente quando viu o Safety Car, porque agora seria Hamilton que teria a chance de passá-lo na Les Combes. Mas, assim que acelerou sua Ferrari na saída da La Source, a diferença de potência ficou clara e em mais nenhum momento ele seria ameaçado.
Tal velocidade do carro vermelho deixou Hamilton espantado. Mesmo que a Mercedes ainda seja um pouco superior em curvas de alta velocidade, abundantes em Spa, a vantagem do motor da Ferrari é tamanha que anulou completamente qualquer vantagem. Em Monza, com menos curvas e chicanes travadas, onde a Ferrari é melhor, só dá para esperar um passeio diante dos tifosi.
No mais, Nico Hulkenberg assumiu que errou feio na freada para a primeira curva e levou uma punição de 10 posições para Monza. Impossível não lembrar da batida de 2012, pela qual Grosjean pegou um gancho de um GP. Mas no documento daquela decisão, havia um detalhe que foi bizarramente levado em conta: o acidente foi com postulantes ao título.
Seja como for, o certo é que todos que forçaram para que o halo fosse adotado respiraram aliviados: imagina se a FIA tivesse voltado atrás por conta do visual dos carros e uma das grandes promessas do grid sofresse alguma lesão séria justamente por isso?