Julianne Cerasoli

Fique de olho nestes 5 carros nos testes da pré-temporada

Checar os sistemas do carro, verificar a correlação de dados com o túnel de vento, testar a confiabilidade das peças e, desta vez, tentar entender os novos compostos em um asfalto completamente alterado no Circuito da Catalunha e com condições climáticas muito longe do que as encontradas há um ano, assim como será em todo o restante de 2018. Antes de qualquer análise sobre o que vimos nos testes da pré-temporada até aqui, é preciso lembrar de tudo isso. E tentar segurar um pouco a ansiedade.

Nesta semana, nos testes que começam nesta terça-feira e já com uma previsão bem mais normal para o clima – termômetros devem chegar perto dos 20ºC na sexta-feira, o que já fez com que as equipes chegassem a um acordo de sequer parar para o almoço em dois dos quatro dias de sessões – muitas novidades aerodinâmicas serão testadas e somente nos dois últimos dias teremos uma ideia melhor do que esperar na Austrália.

Dito isso, os testes até aqui deram alguns indicativos. Para o bem e para o mal.

Mercedes x Ferrari x Red Bull

Sim, a Mercedes está forte, ainda que com ressalvas. Foi interessante notar como o W09 perdia para Ferrari e Red Bull no último setor, e isso muito provavelmente ocorreu por um rendimento ruim dos pneus – algo que é uma preocupação para um carro com centro de gravidade mais pesado que os demais, como expliquei aqui. Talvez por uma mudança de acerto (e é bom lembrar que as equipes conseguem melhorar mais de 1s de um carro novo apenas com mudanças mecânicas), essa defasagem desapareceu no último dia.

Calculando as margens de combustível e diferenças entre compostos por aproximação, e lembrando que as discrepâncias entre os pneus é muito menor no tipo de condição enfrentado na semana passada, a distância entre o melhor tempo de Lewis Hamilton e da Ferrari e também da Red Bull foi de três décimos.

Porém, a Ferrari mostrou a força em outro quesito: o ritmo dos stints mais longos. Na mesma quinta-feira, Hamilton e Vettel fizeram sequências mais longas e, também fazendo estimativas quanto à quantidade de combustível, as análises apontam uma Scuderia mais forte e o alemão 2s4 à frente do inglês depois de um stint de nove voltas. E a Red Bull não demonstrou estar muito atrás da Ferrari.

Isso não quer dizer que será uma tendência definitiva – Mercedes fazendo poles, Ferrari e Red Bull dando trabalho em ritmo de corrida. Mas é algo para ficar de olho nos testse desta semana.

Sinal amarelo

A McLaren passou a semana toda tentando diminuir a importância de seus problemas, mas os números não mostram o time exatamente onde ele esperava estar. Normalizando os parâmetros citados acima, o time aparenta estar a quase 2s da ponta no momento. Digo no momento porque, devido aos problemas de escapamento da terça-feira, foi necessário mudar a configuração de motor para avaliar as temperaturas, o que sempre custa caro em termos de performance. Novamente, nesta semana, todos os olhares estarão nos carros laranjas.

Com tantas equipes chamando a atenção por motivos variados, os problemas da Force India passaram quase despercebidos. O time garante que estava concentrado nas correlações aerodinâmicas e que não focou em performance, mas também andou pouco – só 166 voltas, perto do que a Toro Rosso conseguiu em apenas um dia. Tanto, que Fernando Alonso já chamou a atenção que “pode ter um carro com problemas fundamentais de projeto e ninguém está olhando”. Seria um blefe? Teremos uma ideia melhor a partir desta terça-feira.

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