Julianne Cerasoli

Foi miragem do deserto ou campeonato será apertado mesmo?

Não deixou de ser um alívio acompanhar o desenrolar do GP do Bahrein, especialmente depois de que, na quinta-feira, Sebastian Vettel explicou que as análises da Ferrari mostraram que a vantagem na classificação na Austrália não tinham tanto a ver com o tal modo festa do motor da Mercedes (na verdade, ambos os equipamentos aparentam estar praticamente parelhos nesse sentido) mas ainda assim o alemão acreditava que seus rivais tinham “três ou quatro décimos de vantagem”.

Contudo, pelo menos em uma pista que vem sendo boa para a Ferrari ao longo dos anos, não foi bem assim. Desde os treinos livres, ficou claro que os carros italianos e também a Red Bull estavam mais equilibrados que as Mercedes, que vinham derrapando de traseira nas curvas. A dificuldade de Hamilton e Bottas ficou clara na classificação, em que ambos diziam não se incomodar tanto com o equilíbrio do carro, mas simplesmente não eram velozes o suficiente.

A explicação é algo que já está implícito desde o lançamento da Mercedes. O carro deste ano acabou ficando com o centro de gravidade mais pesado que o anterior, e mesmo antes do início dos testes Toto Wolff já apontava que era algo que preocupava a equipe, pois isso gera mais carga nos pneus. No calor do Bahrein e com os pneus supermacios, que trabalham melhor em janelas de temperatura mais baixas, o temor se tornou realidade.

A Mercedes simplesmente superaquecia seus pneus na classificação, o que também acabou ditando sua opção estratégica na corrida. Curiosamente, nos testes, a equipe mal usou o composto vermelho, focando seu trabalho quase inteiramente nos médios. Seria a queda do Bahrein um indicativo de que isso tenha sido um erro?

Sabendo disso, a Ferrari foi para a corrida com a ideia de proteger sua primeira fila com a estratégia teoricamente melhor, de duas paradas com dois stints de pneus macios, mas sabendo que os rivais, por preferirem os médios e sequer terem supermacios novos, poderiam optar por fazer apenas um pit stop. E souberam reagir quando perceberam que esse era o caso.

Não que tenha sido fácil. Vettel mesmo disse que, quando informado de que teria de fazer seus pneus macios durarem 38 voltas (nos treinos livres, a maior sequência tinha sido de 25), não acreditou que seria possível. E sua pilotagem foi incrível para suportar a pressão de Bottas, concentrando-se em acumular o máximo de energia possível para se defender nas retas. Se fosse Hamilton quem estivesse atrás a história seria diferente? Até mesmo Toto Wolff deixou isso em aberto, mas não era o dia do inglês.

Mesmo tendo tendo a manobra do dia, passando três de uma vez – perguntei a ele sobre aquele momento, e ele disse que pegou dois vácuos, chegou a desesperar-se sem saber para onde ir e nem sabe como conseguiu fazer a curva depois – Hamilton pecou na largada, não conseguindo ganhar posições, e perdeu voltas preciosas atrás de rivais lentos, o que foi decisivo para seu resultado.

Mas é bom lembrar que houve uma terceira variante que acabou ficando de fora dessa batalha. A Red Bull era a equipe (ainda que marginalmente) que tinha o melhor ritmo de corrida nos treinos livres, mas isso não pode ser comprovado na corrida. Seria também uma questão trazida pelo calor barenita? O lado bom é que a resposta não vai demorar a chegar. Xangai é uma pista bem diferente do Bahrein e o frio costuma aparecer por lá. Será que os sinais de um campeonato apertadíssimo vão ser os mesmos do último final de semana?

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