
Entrou sorridente, sentou-se e abaixou a cabeça, visivelmente emocionado. Parecia que, naquele momento, percebera que havia obtido o resultado de que precisava mesmo que sentisse que o mundo conspirava contra ele: má largada, toque na primeira volta, estratégia errada, parada lenta e até rádio sem funcionar. “Me senti exatamente como agora”, brincou ao encarar os jornalistas assim como o fez com os carros que, caprichosamente, o evitaram após o toque com Bruno Senna.
Minutos antes, era o semblante de Felipe Massa que chamava a atenção. Claramente mais rápido que Alonso pelo menos nas últimas duas etapas, o brasileiro mal podia esperar que a temporada terminasse para que, com o campeonato zerado, pudesse ter uma nova chance de correr de verdade. O pódio em casa mesmo em outra corrida na qual teve de ceder uma posição provocou uma catarse em um ano que poderia tê-lo derrubado psicologicamente de forma definitiva.
Falando em cabeça, Alonso fez de tudo para manter a sua no lugar após a terceira derrota em uma decisão. Uma diferente da de Abu Dhabi, como ele fez questão de destacar – “pois daquela vez estava nas nossas mãos e perdemos” – mas dolorida pela certeza de que não havia muito mais que ele podia fazer. Emoções tão fortes quanto distintas que só podiam florescer numa final digna do melhor campeonato da – minha – história na F-1.