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Ganhadores e perdedores de Austin e a classificação do mundial em gráficos

A corrida de Austin mostrou que a superioridade da Red Bull nos treinos estava mais relacionada a sua capacidade de aquecer os pneus rapidamente do que ao ritmo propriamente dito. Afinal, um carro mais “no chão” gera mais pressão aerodinâmica e isso faz com que os pneus entrem na temperatura ideal mais rapidamente – algo ajudado por Vettel, que demonstra grande compreensão do que é necessário fazer os pneus funcionarem e durarem. A prova ainda deixou a questão no ar se seria apenas Hamilton que teria se arrependido de deixar a McLaren…

Apesar do evento não ter sensibilizado a mídia local, o público compareceu em peso – e que fique claro que mexicanos e sul-americanos rechearam grande parcela das arquibancadas. Na pista, houve disputas no limite exato entre rispidez e cavalheirismo e grandes recuperações de Massa e Button.

A performance do brasileiro é surpreendente pelo contexto: se o próprio piloto fez questão de ressaltar que “poucos aceitariam” jogar uma boa classificação fora em favor do companheiro, menos ainda fariam uma prova de recuperação com tanta propriedade depois de um baque desses – e mesmo Felipe já fez diversas corridas apagadas depois que algo saiu dos eixos (Cingapura 2008 e Canadá 2012 me vêm à cabeça).

E a Ferrari? A discussão fica mais próxima do público quando se trata de regulamento esportivo, mas é inegável que as equipes historicamente buscam tirar vantagem das entrelinhas. A discussão sobre o “espírito” das regras e o que está realmente escrito parece permear a história da categoria.

Como vimos em Abu Dhabi, quando a Red Bull, já sabendo que Vettel largaria em último, optou acertadamente por tirar o carro do parque fechado e largar do pitlane, há punições que, por uma questão de regulamento, podem ajudar. E esse foi novamente o caso. (Andei lendo em comentários por aí de que os carros fora do Q3 podem ser modificados, mas isso está redondamente equivocado: quem tira o carro de parque fechado larga em último, do pitlane; mudanças no câmbio provocam perda de cinco posições e, no motor, de dez. Fora isso, apenas pequenos reparos são permitidos para todos, independente da posição de largada)

No nível prático, não dá para dizer que foi um erro quando oito dos 12 pilotos que largavam do lado sujo perderam ao menos uma posição e a Ferrari sabia que os primeiros metros seriam fundamentais para as chances de Alonso, que não tinha tanto ritmo quanto nas provas anteriores.

Para ganhar o campeonato, porém, é preciso mais do que isso. Cenários em que o espanhol marcou ao menos 13 pontos a mais que Vettel na temporada aconteceram por quatro vezes: nos dois abandonos do alemão (Valência e Itália), quando Seb se enroscou com Karthikeyan na Malásia e quando foi punido na Alemanha. É fácil concluir que a certeza do tricampeonato de Vettel só esbarra no imponderável.

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