Julianne Cerasoli

Ganhadores e perdedores do GP de Abu Dhabi – e a “oitava marcha” de Vettel

“Parece que o carro dele tem uma marcha a mais”, disse um Christian Horner meio sem jeito para justificar os mais de 30 segundos de vantagem de Sebastian Vettel para seu próprio companheiro no GP de Abu Dhabi. Nem mesmo o alemão soube explicar o tamanho de sua vantagem, que nos trouxe à mente a outra vez em que esse RB9 brilhou nas mãos do tetracampeão em um circuito com muitas curvas de baixa velocidade, em Cingapura.

“Não há nenhum segredo, só fomos aprendendo a ouvir esses pneus ao longo da temporada”, garantiu Vettel. Mas é claro que a melhor interação do carro com os Pirelli que estrearam na Alemanha não explica toda a vantagem que apenas um dos pilotos da Red Bull consegue aproveitar. O agradecimento frequente ao trabalho da Renault não parece ser em vão, mas há também quem tenha visto algumas respostas na câmera térmica que apareceu nas transmissões das últimas provas. Nas próximas semanas falaremos mais sobre o assunto.

A vantagem de Vettel foi, como sempre, construída no primeiro stint, em que vimos uma situação curiosamente semelhante à famosa corrida de Abu Dhabi de 2010: a turma de Hamilton, Webber, Rosberg e Grosjean parou logo no primeiro sinal de graining, enquanto Vettel continuou, assim como as Ferrari (lição aprendida!), esperando essa fase passar. O tráfego provou ser mais duro que o esperado para quem tinha parado, enquanto os pneus de quem se segurava na pista, de fato, voltaram ao normal.

E dessa vez foi Webber quem lidou melhor com o tráfego e as Mercedes, que estavam acertadas mais para a classificação, sofreram. Porém, ninguém parece ter sofrido tanto quanto Alonso, que foi parar no hospital e “comemorou” estar com todos os dentes em ordem após passar violentamente por cima da zebra na briga com Vergne. Aliás, parece que nem mesmo com duas folhas brancas para brincar o arquiteto Hermann Tilke conseguiu acertar em suas saídas de box, nem em Abu Dhabi, nem na Coreia.

Foi uma corrida forte do espanhol, que soube poupar pneus quando necessário, foi decidido nas ultrapassagens (a freada antecipada para não perder o DRS na briga com Hamilton foi providencial) e mostrou ritmo suficiente no final para ficar à frente de Massa mesmo se o brasileiro tivesse copiado sua estratégia. Felipe também teve seus grandes momentos – e novamente um apagado Hamilton foi a grande vítima – e lutaria com Alonso até o final caso tivesse colocado pneus macios. Nessa altura do campeonato, finais de semana limpos como o de Abu Dhabi só ajudam em um cenário confuso no mercado de pilotos.

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