Julianne Cerasoli

Guarde esse GP na memória

Motor Racing - Formula One World Championship - Hungarian Grand Prix - Race Day - Budapest, Hungary

Se eu tivesse de apostar, diria que não vamos esquecer esse GP da Hungria tão cedo. Por um lado, pelas incríveis performances dos três pilotos que estiveram no pódio, cada um com sua particularidade, aplaudidos de pé quando chegaram para a coletiva de imprensa. Por outro, porque, levando em consideração a reação do comando da Mercedes logo após a prova, a ordem não acatada por Lewis Hamilton abre um precedente que deve alterar a maneira como o time vai lidar com suas estratégias a partir daqui.

Primeiro, falemos de Ricciardo, que mais uma vez deu um banho de agressividade controlada: quando teve de cuidar dos pneus, no segundo stint, e ainda assim abrir uma vantagem que seria fundamental para fazer a estratégia de parar durante os dois períodos de Safety Car funcionar, o fez de forma exemplar, conseguindo 13s em relação a Alonso, que não pararia mais.

Depois, no final, partiu para cima de forma inteligente, evitando ir para o “corpo a corpo” com Hamilton na reta e aproveitando a primeira oportunidade que teve para superar Alonso. Afinal, com Lewis com DRS em seu encalço, estava em uma posição vulnerável – “num sanduíche”, como ele definiu.

Alonso, por sua vez, manteve um ritmo impressionante para quem estava primeiro com uma Ferrari e segundo com pneus macios já usados na classificação, tendo de aguentar pelas últimas 31 voltas.

E Hamilton, novamente, por ter escalado o grid sabendo dosar a agressividade necessária para fazer as ultrapassagens em um circuito no qual a velocidade de reta de seu carro não contava tanto e a calma para não se envolver em toques. Sim, o inglês teve a sorte de não ficar pelo caminho ao julgar mal a temperatura dos freios depois de largar do box e rodar na segunda curva, mas já era a hora do azar dar uma trégua.

Mas a grande decisão do inglês – pelo menos para sua própria corrida – foi contrariar a equipe e não ceder a posição para Nico Rosberg com cerca de 20 voltas para o final. Ele certamente perderia para o companheiro caso não o fizesse. Na entrevista pós-corrida, Toto Wolff deu a entender que o time se arrependia da ordem. Mesmo reconhecendo que a insurreição de Hamilton é um dos fatores para Rosberg não ter vencido uma prova em que saiu da pole, o dirigente é inteligente o suficiente para admitir que seria difícil esperar uma atitude diferente do inglês.

Hamilton tem uma desvantagem a tirar, Rosberg tem uma vantagem a manter, e nenhum dos dois vai pensar no melhor para a equipe, simplesmente por que o título de construtores é questão de tempo e a única briga que realmente existe é pelo título de pilotos. A Mercedes terá de mudar a maneira de atacar as corridas – e Wolff sabe muito bem disso. Como eles vão conseguir manter o controle da situação, na prática, é outra história.

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