Julianne Cerasoli

Hamilton e suas voltas por cima x Rosberg e suas contas

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Teve quem achou que estava divagando sobre ‘se’ ao falar dos prejuízos que largadas trouxeram ao campeonato de Lewis Hamilton, mas é difícil sustentar isso quando todas as vezes que o inglês fechou a primeira volta em primeiro e não quebrou, ele venceu. Na verdade, nem todas: em Mônaco, ele estava em segundo, mas ganhou um presente da Red Bull. O fato é que tem sido muito difícil tanto para o inglês, quanto para Rosberg, reverter o resultado da primeira volta em condições normais – e não é por acaso que o próprio tricampeão deixou claro que foi para Austin para fazer a pole e largar bem.

Com a vitória, apesar de Rosberg não ter chegado a Austin podendo ser campeão, Hamilton deve se sentir como se tivesse revertido um match point do companheiro. Ficar com mais de uma vitória de desvantagem com três provas para o final está longe de ser uma situação confortável, mas sua performance absoluta – dentro e fora das pistas – lhe devolve confiança.

Vimos esse tipo de virada de Hamilton em vários momentos de sua carreira. Em 2008, após duas corridas bem ruins no Canadá e na França, o inglês fez uma de suas melhores provas, na memorável performance sob chuva em Silverstone. Alguns meses depois, deve outro ponto baixo no Japão, e foi perfeito logo depois na China.

As voltas por cima do inglês, que teve um comportamento irretocável neste final de semana com a imprensa após a mesma ter declarado que o piloto entrava em uma espiral negativa, ao mesmo tempo em que também dava respostas na pistas, que é o que realmente importa, são conhecidas. O que pesa para ele no momento é que pode não ser suficiente.

Hamilton pode encaixar outros três finais de semanas perfeitos no México, Brasil e Abu Dhabi e acabar descontando apenas 21 dos 26 pontos que precisa. E Rosberg deixou claro que não se importa em ganhar o campeonato apenas controlando a vantagem que construiu.

Isso complica bastante o cenário para o inglês, uma vez que, mesmo quando a Red Bull aparentava ter um bom ritmo de corrida e adotava uma estratégia diferente, o segundo colocado conseguiu chegar confortáveis 15s à frente. Claro que o Safety Car Virtual veio no pior momento possível para Ricciardo, mas o prejuízo final mostra que a Mercedes tinha sobras para bater os rivais.

E aí que voltam à conversa as largadas e as quebras, os dois fatores que fizeram esse campeonato perder a lógica em diversas ocasiões. Só isso parece ameaçar o script (quase) perfeito que Rosberg já desenhou para as três etapas finais.

Saindo da batalha da ponta, é bonito ver a fome até mesmo irracional de Fernando Alonso lutando por um quinto lugar. Isso me fez lembrar uma entrevista dele na Malásia, em que ele dizia que o objetivo da McLaren era ser sétimo em todas as corridas que faltavam. Não me surpreenderia se, em seu íntimo, contabilize um quinto posto em uma prova na qual Raikkonen e Verstappen ficaram pelo caminho, como uma vitória. Dez anos após o último título, o espanhol continua tão cirúrgico quanto aquele jovem de 25 anos que marcou Schumacher no homem a homem, fazendo apenas o necessário para levar o título.

Parecia tudo sob controle quando o motor Renault o deixou na mão em Monza. E parecia tudo mais perdido ainda quando Schumacher partia para uma vitória no Japão que o deixaria perto do hepta. Até que o motor Ferrari ‘retribuiu’ o favor. Corrida de carro tem dessas coisas!

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