
Não era ele quem ia detonar os pneus com mais torque no motor? Que não saberia lidar com um regulamento que privilegia a eficiência porque só sabe acelerar? Lewis Hamilton deixou todos imaginando o que poderia ter sido na Austrália ao bater o companheiro Nico Rosberg sem precisar fazer muita força no GP da Malásia, recuperando-se da decepção do abandono prematuro da prova anterior. E deve ter deixado uma pulga atrás da orelha do alemão.
Rosberg mais uma vez não foi bem na classificação sob chuva – condição, façamos justiça, na qual Hamilton é especialista – e sofreu com a degradação dos pneus traseiros. Isso dificilmente é só uma questão de pilotagem e mostra o bom trabalho que Lewis e seu engenheiro fizeram ainda na sexta-feira no acerto do carro prevendo acertadamente a evolução da pista. Com o carro mais equilibrado, o inglês pôde controlar melhor o consumo de combustível e seu ritmo.
Aliás, o novo gráfico da porcentagem gasta – mesmo que não tenhamos o valor de referência, que deve variar ligeiramente de carro para carro – ilustra bem o objetivo desta nova Fórmula 1: não é uma questão de gastar menos combustível, mas sim de gastá-lo da forma mais eficiente. Unindo desgaste menor e mais velocidade, a Mercedes está sobrando.
O quanto? Basta comparar as voltas mais rápidas de Hamilton e Sebastian Vettel: 1s2 de diferença sendo que a marca do inglês foi estabelecida só duas voltas depois. Por outro lado, o rendimento da Red Bull no setor das curvas de alta – Vettel perdia 0s4 no trecho inicial com mais retas e 0s2 no segundo –, mostra como o carro do tetracampeão é forte e pode alcançar os prateados ao longo do ano.
Porém, o estresse menor ao qual Hamilton e Rosberg têm submetido seu equipamento nesta parte inicial – lembrando que cada piloto só pode usar cinco unidades de potência no ano – será importante lá na frente. Vettel usou na Malásia sua terceira CE PSU (unidade que controla a alimentação de energia) e só tem direito a mais duas no ano.
McLaren e Williams
Quando Jenson Button diz que as melhorias que a McLaren levou para a Malásia foram mascaradas pelas características do circuito, isso quer dizer que há trabalho pela frente em Woking. Especialmente o segundo setor destes três carros em Sepang evidenciou sua falta de pressão aerodinâmica em relação a Mercedes, claro, mas também Red Bull e Ferrari.
No caso do time de Massa, chamou a atenção a dificuldade de ultrapassar a McLaren. A questão, assim como na chuva, é a instabilidade da traseira, que faz com que seus pilotos demorem mais para conseguir despejar a potência. De reta, o carro é rápido, mas isso de nada adianta quando a saída de curva é ruim. O mesmo fator explica o baixo consumo de combustível, como explicou Bottas após a corrida malaia. “Demoramos mais para colocar o pé no acelerador, por isso economizamos. Mas preferiria um carro com mais downforce e que gastasse mais.”
No Bahrein, eles devem andar melhor, assim como a própria McLaren e a Williams, pois há menos curvas de alta e o motor Mercedes deve falar alto em um circuito basicamente de retas e curvas travadas. Mas melhorias – e Massa admitiu que talvez elas só cheguem na China – são mais que bem-vindas.